sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Revista Pan-Americana de Saúde Pública abre chamada de trabalhos para numero especial sobre HIV nas Américas

Prevenção, atenção e tratamento de HIV/AIDS na Região das Américas: avanços, desafios e perspectivas
 
A Revista Panamericana de Salud Pública/Pan American Journal of Public Health, publicada pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), anuncia a chamada de trabalhos para uma edição especial sobre Prevenção, atenção e tratamento do HIV/AIDS na Região das Américas: avanços, desafios e perspectivas, a ser publicada em dezembro de 2016 com o apoio da Unidade de HIV, Hepatites, Tuberculose e IST da OPAS e outros parceiros regionais.


Antecedentes e justificativa
 
Nos últimos anos, a Região das Américas obteve avanços com resultados sem precedentes na resposta à epidemia de HIV. Os países na Região adaptaram e implementaram a iniciativa Tratamento 2.0 da OMS/UNAIDS, atualizar a atenção e as diretrizes de tratamento com base nas evidências mais recentes e recomendações internacionais, otimizaram o uso de antirretrovirais, introduziram novas tecnologias para prevenção, diagnóstico, atenção e tratamento de HIV e aprimoraram a eficiência e a sustentabilidade da resposta. Desse modo, a Região manteve a mais elevada cobertura de tratamento antirretroviral (TAR) em países de baixa e média renda. Além disso, com o firme compromisso regional com a Iniciativa de Eliminação Dupla da Transmissão Materno-infantil do HIV e da Sífilis, os serviços de atendimento pré-natal foram reforçados, a cobertura de triagem, tratamento e profilaxia aumentou e, em 2015, Cuba foi o primeiro país a completar o processo de validação da eliminação dupla da transmissão vertical.

Em contrapartida, o diagnóstico tardio da infecção pelo HIV continua sendo um desafio, não houve queda significativa no número de novos casos de infecção e mortes relacionadas ao HIV, grupos populacionais importantes continuam a ser afetados desproporcionalmente e as estratégias de prevenção do HIV com o uso de combinação de medicamentos precisam ser melhoradas, inclusive são necessários mais esforços para o progresso na eliminação da transmissão materno-infantil em um número maior países. Além disso, a Organização Mundial da Saúde divulgou recentemente uma nova recomendação sobre a iniciação da TAR em todas as pessoas vivendo com HIV com qualquer contagem de células CD4, cuja implementação requererá maiores esforços, recursos e fortalecimento dos sistemas de saúde ao nível de país.

Em 2014, no Fórum Latino-americano e do Caribe sobre o contínuo da atenção ao HIV realizado na cidade do México, os especialistas em HIV dos programas nacionais de combate ao HIV/AIDS, serviços de saúde, comunidade acadêmica, organizações da sociedade civil e organizações multilaterais e bilaterais endossaram um conjunto de metas programáticas (90-90-90) ambiciosas, porém alcançáveis, para direcionar a resposta regional a HIV no pós-2015: 90% de todas as pessoas vivendo com HIV saberão que têm o vírus; 90% de todas as pessoas com infecção pelo HIV diagnosticada receberão TAR ininterruptamente; e 90% de todas as pessoas recebendo TAR terão supressão viral. Em 2015, no Segundo Fórum, realizado no Rio de Janeiro, foram debatidas e endossadas novas metas para prevenção do HIV e combate à discriminação e estigmatização.

O contexto pós-2015 está, portanto, sendo delineado com novas metas ambiciosas e a Região chegou a um ponto decisivo que requer a aceleração do ritmo de resposta para alcançar as metas de aceleração da resposta (Fast Track 2020) e reunir esforços para ampliar ainda mais o acesso universal a serviços de prevenção, atenção e tratamento, eliminar a transmissão materno-infantil do HIV e sífilis e eliminar a AIDS como um problema de saúde pública até 2030.

Esta edição especial é uma oportunidade de recapitular e apresentar a situação atual da resposta ao HIV/AIDS na Região, em particular em relação ao contínuo de prevenção, atenção e tratamento, destacar os avanços e desafios, dividir experiências de êxito nos países e sugerir novos rumos estratégicos à resposta regional.
 
 
Tema central e tópicos principais
 
O tema central da edição especial será Prevenção, atenção e tratamento de HIV/AIDS na Região das Américas: avanços, desafios e perspectivas, com destaque às seguintes respostas relacionadas ao contínuo de prevenção, atenção e tratamento do HIV:
 
1. Prevenção do HIV com o uso de combinação. Esta resposta se baseia na ciência da prevenção do HIV, intervenções e experiência programática de uma perspectiva de prevenção com o uso de combinação de medicamentos e ênfase aos direitos humanos. Como mudam as necessidades de prevenção do HIV e as vulnerabilidades das pessoas ao longo da vida, o enfoque de prevenção com o uso de combinação garante acesso às intervenções mais apropriadas em diferentes momentos. Portanto, este enfoque pode resultar em sinergias de maior impacto que as intervenções independentes. Os trabalhos apresentados neste tema devem abordar as intervenções para prevenção do HIV com o uso de combinação de medicamento, incluindo o uso de antirretrovirais na prevenção (tratamento como prevenção), assim como outras intervenções biomédicas, comportamentais e estruturais, destacando-se as estratégias voltadas aos principais grupos populacionais, como homossexuais masculinos, homens que fazem sexo com homens, populações transgênero, profissionais do sexo, usuários de drogas, outros grupos principais ou mais vulneráveis relevantes ao contexto local (por exemplo, populações depauperadas ou marginalizadas como os sem-teto, migrantes e refugiados, populações indígenas) e adolescentes. Esta resposta deve também examinar especificamente as dificuldades para expandir intervenções eficazes como a profilaxia pré-exposição.
 
2. Estratégias e serviços de teste de HIV. Esta resposta deve abordar especificamente os avanços, desafios e perspectivas que podem dar subsídios sobre as boas práticas para reduzir a defasagem entre a primeira meta e as demais metas 90-90-90 relacionada à proporção de pessoas estimadas vivendo com o HIV que foram diagnosticadas e para reduzir o diagnóstico tardio. Os trabalhos apresentados neste tema devem analisar as tendências do teste de HIV na Região, intervenções para aumentar a captação para o teste e a retenção nos serviços de HIV, estudos do desempenho dos testes rápidos de detecção do HIV e algoritmos de teste de HIV, experiências na expansão de tecnologias no ponto de atendimento, momento conveniente de comunicação dos resultados dos testes e vínculo à atenção, incluindo a execução de novas políticas e procedimentos para melhorar o tempo de retorno, o desempenho e a viabilidade de usar amostras de sangue seco ou outras amostras alternativas para teste. Além disso, terão boa aceitação trabalhos sobre as experiências de implementação do teste de HIV solicitado pelo profissional de saúde e orientação, implementação de estratégias inovadoras para ampliar a realização do teste de HIV, em particular nas populações de difícil acesso, estratégias de serviços de teste de HIV incluindo serviços nas comunidades e emprego de orientadores leigos, estudos das atitudes e práticas dos profissionais e usuários dos serviços, barreiras ao teste de HIV, sistemas de garantia da qualidade do teste de HIV e sífilis independentemente do local de realização do teste e desafios operacionais para implementar o teste e as estratégias de tratamento.
 
3. Contínuo da atenção e tratamento do HIV. Esta resposta se concentra nas intervenções e na experiência programática visando melhorar o contínuo da atenção e tratamento do HIV da perspectiva em cascata do diagnóstico do HIV, vínculo e retenção na atenção, acesso a TAR, adesão ao tratamento e supressão viral. Os trabalhos apresentados neste tema devem abordar aspectos específicos da iniciativa Tratamento 2.0 da OMS/UNAIDS, como otimização da TAR, adaptação da prestação de serviços incluindo descentralização e integração da atenção e tratamento do HIV, em particular a atenção integrada do HIV, tuberculose e hepatites virais, estratégias inovadoras para melhorar o vínculo, a retenção e a adesão com vistas a aumentar e sustentar a efetividade da TAR, participação da comunidade na atenção do HIV (pessoas vivendo com HIV, sociedade civil e principais populações). Esta resposta deve contemplar especificamente os avanços, desafios e perspectivas que podem dar subsídios sobre as boas práticas para reduzir a defasagem entre a segunda e a terceira meta das metas 90-90-90 relacionadas ao aumento da cobertura de TAR e supressão viral.
 
4. Aceleração do progresso para eliminação da transmissão materno-infantil de HIV e sífilis congênita. Embora a Região tenha feito avanços importantes nos últimos anos (o índice regional estimado de transmissão materno-infantil de HIV na América Latina e no Caribe caiu de 18%, em 2010, a 5%, em 2013), ainda persistem desafios em alguns países principalmente relacionados a sistemas de saúde deficientes. Os trabalhos apresentados neste tema devem abordar, sem estarem limitados, experiências na melhoria da cobertura e da qualidade dos serviços de saúde materno-infantil, abordagens para fortalecer os sistemas de saúde e os sistemas de informação em saúde e coleta de dados. Também terão boa aceitação estudos sobre o desenvolvimento de modelos de prestação de serviços que integram serviços de atendimento pré-natal, saúde sexual e reprodutiva e de HIV/IST, mecanismos para aumentar a cobertura de teste de HIV e sífilis com a introdução ou a ampliação da tecnologia de teste rápido (pontos de atendimento) e o reforço das redes de laboratórios, e abordagens para assegurar a implementação rápida de mudanças na política de transmissão materno-infantil em campo com o treinamento e difusão de diretrizes, assim como para reforçar a capacidade do país de identificar subgrupos vulneráveis e subatendidos e a implementação de estratégias direcionadas a esses grupos. Além disso, os trabalhos podem apresentar análises dos determinantes e a prevalência da infecção pelo HIV e sífilis em gestantes, examinar barreiras sociais e estruturais e fatores relacionados aos pacientes e profissionais na eliminação da transmissão materno-infantil do HIV e sífilis ou serem estudos de casos de países que estão avançando na eliminação da transmissão materno-infantil de HIV e sífilis congênita.
 
 
Comitê editorial
 
Carlos Beltrán, Asociación Panamericana de Infectología, Chile
Adele Benzaken, DST/AIDS/HV Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, Sec. Vigilância em Saúde, Brasil
Ana Paulina Celi, Asociación Panamericana de Infectología, Ecuador
Peter Figueroa, University of the West Indies, Jamaica
Beatriz Grinsztejn, Fiocruz/ Instituto de Pesquisa Clinica Evandro Chagas, Brasil
Massimo Ghidinelli, Pan American Health Organization, United States
Javier Hourcade Bellocq, AIDS Alliance, Argentina
Mary Kamb, Center for Disease Control and Prevention, United States
Cesar Nuñez, United Nations Programme on HIV/AIDS, Panama
Freddy Pérez, Pan American Health Organization, United States
Giovanni Ravasi, Pan American Health Organization, United States
Omar Sued, Fundación Huésped, Argentina
 
 
Idioma para apresentação dos trabalhos
 
Serão aceitos trabalhos em espanhol, inglês ou português. O processo de seleção dos trabalhos seguirá o procedimento de avaliação por pares da Revista.
 
 
Normas para publicação
 
As contribuições podem ser artigos originais de pesquisa, revisões sistemáticas, opinião e análise, informes especiais ou comunicações breves. Os autores devem seguir as Instruções aos Autores da Revista Panamericana de Salud Pública/Pan American Journal of Public Health ao apresentar os trabalhos para publicação.
 
Indique, por gentiliza, na carta de apresentação que o trabalho está sendo apresentado para ser publicado na edição especial sobre Prevenção, atenção e tratamento de HIV/AIDS na Região das Américas: avanços, desafios e perspectivas.
 
Data-limite: 31 de abril de 2016
 
Dúvida: contacto_rpsp@paho.org
Assunto: HIV
 
 
 
  

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