sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Sanofi, IDF e ADJ lançam programa de conscientização sobre o diabetes em escolas, com apoio do Ministério da Saúde, SBD e SBP

A Federação Internacional de Diabetes (IDF), a Sanofi e a ADJ Diabetes Brasil anunciaram em 5 de agosto de 2014 sua primeira iniciativa conjunta em saúde pública no Brasil - o Programa KiDS (Kids and Diabetes in Schools) [Crianças e o Diabetes nas Escolas]. Com foco no diabetes tipo 1 e 2, o objetivo principal do programa é promover um ambiente escolar seguro para crianças e jovens com diabetes e garantir o controle adequado da doença, bem como evitar o estigma associado ao diabetes. O projeto também vai ampliar a conscientização sobre o diabetes, sensibilizar crianças e jovens em idade escolar sobre os benefícios de uma alimentação saudável e a prática de atividade física para prevenção de doenças e manutenção da saúde. O programa conta com o apoio do Ministério da Saúde, da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

O Programa KiDS contemplará 15 escolas, entre públicas e privadas (13 em São Paulo e 2 no Ceará) e será direcionado a crianças e adolescentes de 6 a 14 anos. De forma prática e lúdica, os alunos terão palestras interativas sobre o funcionamento do corpo humano, noções básicas de diabetes, jogos de perguntas e respostas, além de orientações sobre a prática de atividade física. Os profissionais das escolas, pais dos alunos com diabetes e cuidadores farão parte do programa para ajudar a influenciar na discussão de hábitos saudáveis como parte dos esforços para controlar o peso e a obesidade.

Eles poderão participar de oficinas práticas, que abordarão os sintomas, o monitoramento e o tratamento do diabetes, além de sugestões de alimentação nas escolas e em situações especiais. Na programação também estão previstas orientações sobre os exercícios físicos mais adequados para esses alunos, as complicações mais comuns durante o período escolar, bem como técnicas para desenvolver novas habilidades e autoconhecimento.

A ideia é propagar o programa pelo Brasil afora de forma a alcançar um número maior de alunos com diabetes, pais, professores e cuidadores e dar-lhes acesso a orientações sobre como lidar e controlar a doença. As escolas interessadas em realizar o treinamento poderão fazer download gratuito do material para realizar a capacitação de suas equipes, que contará com o suporte dos profissionais da ADJ Diabetes Brasil.

Para as crianças com diabetes cuidar-se é um desafio permanente. Elas precisam fazer um controle rigoroso da doença, que inclui desde o uso diário de insulina, o monitoramento da glicose, a prática de exercícios físicos e a adoção de uma dieta saudável e, ainda, devem enfrentar o estigma da doença nas escolas. “Os resultados e o aprendizado gerados pelo Programa KIDS irão não só ajudar a apoiar crianças com diabetes tipo 1 e 2, mas também a promover um ambiente escolar de melhor entendimento da doença”, diz Sergio Metzger, Diretor de Relações Institucionais da ADJ Diabetes Brasil, representante da IDF no Brasil.

Para a Sanofi, o Programa KiDS deve contribuir para melhorar a qualidade de vida da criança e do adolescente em idade escolar. “Como empresa global, líder no desenvolvimento de soluções inovadoras de controle do diabetes, consideramos fundamental pensar no universo que cerca esse paciente. Associar terapias, disponibilizar aplicativos de controle, bem como serviços de educação é também uma maneira de ajudar esse paciente a levar uma vida plena. Temos certeza de que o Programa KiDS, com o apoio recebido das sociedades médicas e do poder público, poderá se tornar um instrumento importante na redução dos índices de diabetes tipo 2 nas escolas e ajudará as crianças, principalmente com diabetes tipo 1, a administrar melhor a doença”, diz Fernando Sampaio, Diretor-Geral da Sanofi Farma, a maior operação do Grupo Sanofi no Brasil.


Epidemia do Diabetes

A incidência global da doença vem aumentando e, hoje, mais de 382 milhões de indivíduos no mundo têm diabetes. O Brasil está na quarta posição em todo o mundo entre os dez países mundiais com maior índice de pessoas com diabetes, segundo o relatório da IDF, com 11.9 milhões de indivíduos com a doença (20-79 anos de idade) e a expectativa de chegar a 19,2 milhões em 2035, sendo as primeiras posições ocupadas por China, Índia e Estados Unidos, respectivamente. No caso do diabetes tipo 1, os índices também são preocupantes. A doença atinge 10% de pessoas com diabetes no Brasil.

“Através de uma abordagem centrada em diabetes nas escolas, o programa KIDS tem a oportunidade única de influenciar a forma como entendemos e gerimos a doença dentro e fora do ambiente escolar”, diz Dr. David Chaney, Especialista de Educação Senior da Federação Internacional de Diabetes. “Nós queremos que as crianças e jovens se sintam confortáveis na gestão do diabetes nas escolas, e ao mesmo tempo buscaremos educar da melhor forma os cuidadores para lidar com a condição. Este projeto tem o potencial para impactar positivamente tanto as comunidades como a sociedade em geral”, acrescenta Dr. Chaney.

Na primeira etapa do programa foi realizado um estudo para entender as iniciativas existentes sobre diabetes nas escolas, as melhores práticas e levantar lacunas no conhecimento para implementar os recursos adequados. Verificou-se que não existem programas no cenário escolar que se concentrem na gestão do diabetes. A partir desta análise, foi identificada a necessidade de um programa de conscientização nas escolas para sensibilizar os alunos, professores e pais sobre a gestão do diabetes e o controle de fatores de risco para o diabetes tipo 2.


Sobre o Programa KiDS:

As etapas importantes do Programa KiDS incluem:

· Fase 1 em 2014 - Encontros com foco na sensibilização, educação e atividades nas escolas, com os principais públicos: diretores de escolas, professores, pais e filhos.

· Desenvolvimento e distribuição de um pacote de informações sobre diabetes direcionados à escola para ajudar os professores a orientar as crianças sobre o diabetes.

· Um kit educacional sobre o 'Diabetes nas Escolas' será entregue nas escolas participantes e estará disponível para download no site do IDF para implementação do projeto em outros locais.

· Fase 2

· Abordagem com o público-alvo para apoiar as crianças com diabetes na escola e combater o estigma associado à doença.


Mais informações sobre o Diabetes

O diabetes é uma doença crônica, que se apresenta como diabetes tipo 1 e diabetes tipo 2. O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune caracterizada pela falta de produção de insulina (o hormônio que regula as concentrações de açúcar no sangue) pelo pâncreas. O diabetes tipo 2 é um distúrbio metabólico caracterizado, principalmente, pela produção insuficiente de insulina e a capacidade reduzida do organismo de responder à ação da insulina que é fabricada pelo corpo.

Com o tempo, o diabetes não controlado pode levar a uma série de consequências, como infarto, acidente vascular cerebral, doença vascular periférica, além de problemas na visão (retinopatia), nos rins (nefropatia), etc.

 
O diabetes Tipo 1 em Crianças

Muitas crianças e adolescentes têm dificuldade para lidar emocionalmente com sua doença, sem contar no controle do tratamento para alcançar as metas. O diabetes pode limitar as relações sociais e impactar o desempenho escolar da criança. Os custos de tratamento e monitoramento da doença combinados com as necessidades diárias de uma criança com diabetes podem impor uma carga financeira e emocional a toda a família.
Fonte: Vanessa Pirolo (Assessora de Imprensa da ADJ) e IDF
 
Para baixar a sexta edição do Atlas de Diabetes da IDF (em inglês) clique aqui
Para baixar o kit educacional sobre o "Diabetes nas Escolas" clique aqui 

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Discriminação a portadores de HIV é crime

Uma nova lei sancionada pela presidente Dilma Rousseff e que já está em vigor tipifica como crime, com pena de reclusão de um a quatro anos, além de multa, diversas condutas tidas como caracterizadoras de discriminação relativamente a pessoas portadoras do vírus HIV e doentes de Aids nos casos definidos nos incisos de I a VI do art. 1º da Lei nº 12.984. A legislação vigora desde a sua publicação no Diário Oficial da União de 3 de junho de 2014.

Caracterizam esse crime as ações de recusa, procrastinação, cancelamento ou segregação da inscrição ou impedimento na permanência de aluno brasileiro portador do vírus HIV ou doente de AIDS em creche ou estabelecimento de ensino de qualquer curso ou grau, público ou privado. Estarão sob a égide dessa lei aqueles que negarem emprego ou trabalho; exonerarem ou demitirem do cargo ou emprego; segregarem no ambiente de trabalho ou escolar; e divulgarem a condição do portador do HIV ou de doente de Aids, com intuito de ofender-lhe a dignidade. Está incluído nesse rol quem recusar ou retardar atendimento de saúde ao portador da doença.

Embora a distinção seja indiferente para fins de aplicação da nova lei, vale atentar para a diferença existente entre o portador do vírus HIV e o doente de Aids. Diante dos exames de controle da carga viral e das células de defesa (CD4), o portador do vírus possui uma carga viral baixa ou até indetectável pelos exames e um número de células de defesa do tipo 4 normal segundo os padrões. Já o paciente que teve a doença desenvolvida apresenta uma carga viral elevada e um número reduzido de células de defesa, situação do organismo que propicia o desenvolvimento de doenças oportunistas devido a sua baixa defesa imunológica.

No Brasil, atualmente, os portadores do vírus HIV contam com acesso gratuito pelo SUS à Tarv (tratamento antirretroviral) e a exames acurados para fins de controle da carga viral e combate às doenças oportunistas. Essas medidas estão aliadas às políticas de combate e erradicação de determinadas doenças, priorizando os pacientes portadores do vírus ou doentes de Aids na vacinação preventiva e tratamento em razão de sua debilidade imunológica.

Os casos continuam aumentando no país e no mundo, conforme a informações divulgadas pela Unaids – a agência da ONU para assuntos relacionados à Aids. De acordo com o órgão, o número de pessoas que convivem com o vírus e com a doença aumentou de 30 milhões para 35,3 milhões entre 2001 e 2012 em todo o mundo. Cerca de 718 mil desses casos estão no Brasil, 56% dos quais concentrados na região Sudeste. Em 2012, houve a notificação de 39.185 novas infecções e, no total, a doença cresceu cerca de 2% no país nos últimos dez anos. Os últimos números divulgados indicam que, em apenas um ano, quase 40 mil novos casos foram diagnosticados no Brasil (apoio: portal M de Mulher, de 7 de março, http://mde mulher.abril.com.br/saude/reportagem/prevencao-trata/casos-hiv-aids-continuam-aumentando-brasil-mundo-774626.shtml).

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Diabetes Brasília

Iniciamos nossa atividade em setembro de 2012. O projeto era um sonho de sua idealizadora, Eliziane Leite, endocrinologista, atuando há mais de 20 anos no Distrito Federal, para quem o tratamento do paciente diabético, sobretudo, não pode furtar-se de um atendimento multidisciplinar. Concretizando este conceito, instalamos a Clínica Diabetes Brasília e, não obstante tratar-se de um passo  ousado, o modus operandi não se revela, de todo, como sendo novidade absoluta. 
 
É certo que o serviço público de saúde já promove o tratamento multidisciplinar, conquanto funcione com suas equipes de saúde. Na iniciativa privada, refiro-me especificamente em Brasília, tal realidade ainda não havia sido experimentada. A suposta escassez de médicos endocrinologistas no Distrito Federal evidenciou a prática do individualismo e pode-se afirmar que até um brevíssimo período referidos médicos mantinham-se em seus consultórios particulares praticando a medicina isoladamente, a maioria deles sequer ofertando seus serviços para operadoras de plano de saúde.
 
Enfim, conseguimos implantar o nosso projeto e visando especificamente com maior ênfase os portadores de diabetes inauguramos a Clínica Médica Diabetes Brasília
 
Neste primeiro momento formamos a equipe com cinco endocrinologistas, duas nutricionistas e duas enfermeiras. Insta enfatizar que somos a clínica privada que concentra o maior número de especialistas em Brasília. Fizemos parcerias com educadores físicos, laboratórios, psicólogos e fisioterapeutas. A ideia, ora consolidada, consiste em prestar o mais completo atendimento.
 
O público alvo, sem dúvida, os pacientes portadores de diabetes e demais pacientes acometidos de patologias endócrinas. Não obstante, haja vista a localização da clínica, em ponto central da cidade, o público visado seria o paciente que sem acesso ao serviço público e também sem plano de saúde, pudesse experimentar um atendimento de máxima qualidade.
 
Estabelecemos que a consulta seria integrada, cabendo ao médico indicar a necessidade do paciente submeter-se aos cuidados do nutricionista e/ou aos cuidados de enfermagem. O custo/benefício extremamente atraente, porquanto o valor atribuído à consulta -  no início - foi equivalente a R$170,00. A vantagem, imaginava-se, seria o ganho de escala. Temos capacidade de atendimento de até 1.200 pacientes/mês, considerando os quatro consultórios médicos e mais sala de pré-consulta e sala de enfermagem. Hoje o valor da consulta integrada é de R$300,00, sem dúvida, ainda o melhor custo-benefício, tratando da realidade do Distrito Federal.
 
Surpreendemo-nos no início, e isto traduz a realidade de Brasília, quando fomos instados a aumentar o valor originário da consulta, sobretudo pela descrença dos pacientes em julgar que  o valor anunciado da consulta, então R$170,00, não seria compatível com a prestação de serviço de qualidade. Sem dúvida uma experiência de mercado. Optamos pelo não atendimento de operadoras de plano de saúde, exatamente para destinar aos nosso pacientes um atendimento de qualidade. Prontuário eletrônico e uma equipe disposta a assumir integralmente os pacientes. 
 
Nestes quase dois anos de funcionamento o que se pode extrair é a dificuldade de lidar com a qualidade do serviço prestado. Diversos pacientes revelaram-nos que o nosso atendimento é diferenciado, o que significa que estamos no caminho certo, ademais, porque a consulta é humanizada e uma equipe acolhe o paciente em suas fragilidades.
 
Reuniões clínicas e discussão de casos clínicos são realizadas rotineiramente. Faz parte de nossa pretensão o trabalho de pesquisa e revela-se como realidade a parceria com o serviço público, sobretudo, para orientação e prescrição dos medicamentos, que, aliás, aqui em Brasília, tanto o atendimento dos ambulatórios de endocrinologia e diabetes, bem como a farmácia pública, funcionam adequadamente e com qualidade, a despeito da demanda, como, aliás, é realidade em todo o país.
 
Reitero que é evidente o nosso desejo de revelar-se como referência no tratamento do paciente diabético, sobretudo, pelo nosso propósito de insistir, sem ressalvas, no atendimento de máxima qualidade. Contudo, o próprio paciente diabético, ou ainda, os pacientes de modo geral, a maioria das vezes sem acesso a um tratamento de qualidade, sucumbe ao procedimento falacioso do atendimento por meio de operadoras de planos de saúde. O valor do honorários dispensados aos médicos credenciados dão o tom do atendimento a ser prestado, naturalmente, com as honrosas exceções. A dinâmica é a mesma, porquanto o volume de atendimento é o fator que vai indicar a permanência do profissional médico no contrato de adesão a que fora submetido.
 
Assim, sem que o próprio paciente saiba do engodo a que se submete em tratamento que exige amplo conhecimento da doença e participação ativa de sua família, imagina que a simples visita ao médico, na maioria das vezes sem que o tempo de consulta  ultrapasse mais do que cinco a seis minutos, seja suficiente para manter-se equilibrado e sem as danosas consequências que virão em face da evolução de sua doença.
 
A dura realidade tem consequências estarrecedoras, inclusive, economicamente, quando se conclui que a despeito do paciente submeter-se a ingestão de medicamentos, tão-somente, sem o necessário apoio multidisciplinar, sofrerá os danos provocados por sua desídia e mais, promovidos por profissionais médicos que não atuam conjuntamente à vista do imposição do sistema de saúde fadado ao insucesso.
 
Há estudos em evidência que revelam que o tratamento do paciente diabético, sem o propósito de sua educação para a doença, inclusive de seus familiares, sem a atividade física adequada e sem a prescrição dietética permanente, certamente os encaminharão para as mais drásticas consequências, sem dúvida, numa vertente econômica, aumentando-se os gastos com a doença sejam públicos ou privados.
 
Portanto, a ousadia mencionada alhures, diz respeito ao modo pelo qual foi concretizado o sonho; inovador em nossa realidade, contraditório em suas razões comuns. Não obstante, árduo na sua tarefa de manter-se incólume em sua linha de propósitos, ademais, à vista da negligência dos próprios destinatários e mais ainda à concorrência acirrada do mercado, sobretudo, ante as operadoras de plano de saúde que despreza o efetivo tratamento em prol da manutenção de seu suporte econômico. É a difícil tarefa a que estamos submetidos. A experiência é, sem dúvida, tentadora e o nosso alívio reflete-se na fidelidade do paciente que compreende a nossa missão, integralmente em seu favor.
 
É um longo caminho a percorrer, com persistência, ultrapassando as intempéries e mais às dificuldades que ainda serão enfrentadas, sob pena de ver sucumbir um projeto que prioriza a qualidade da prestação do serviço médico em detrimento do imediatismo inerente ao lucro fácil que se revela mais evidente em iniciativas de tal jaez. Enfim, em breves palavras, eis um resumo mínimo do que estamos a enfrentar.
 
Resta-nos claro que a persistência irá nos recompensar, conquanto, desde que possamos suportar o ônus da permanência, ademais, nosso paciente, nosso cliente, precisa estar ciente de que pode manter-se equilibrado em sua saúde e conviver harmoniosamente com sua doença. Urge que ele tenha opção desta alternativa e saiba que ela existe.
 
Estamos sobrevivendo com o melhor dos desejos, qual seja, que um dia, pacientes crônicos saibam que há uma alternativa para o seu bem-estar e de sua família. Seja por meio da iniciativa privada ou pública é um direito que lhes assiste. E aqui estamos para ofertar-lhe esta opção.
 
A nova iniciativa da Clínica Diabetes Brasília é um periódico, bimensal, que se prestará como nosso espaço de divulgação e realizações e ainda, orientações e auxílio aos que buscam um efetivo tratamento. Interessados em receber a newletter podem fazer a assinatura gratuita pelo sítio da clínica em: http://diabetesbrasilia.com.br/

André Braga
advogado e contador,  casado com Eliziane Leite, endocrinologista
É sócio da Clinica Diabetes Brasília Ltda.

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Blogs são ferramentas de apoio na promoção da saúde

Karen Santo Athie, Sebástian Freire e Débora Aligieri
 
A Enfermagem invadiu o mundo virtual. Pelo menos é assim que identificaram os palestrantes Karen Santo Athie, Sebástian Freire e Débora Aligieri, durante a mesa redonda “Blogueiros da Saúde: Uma Experiência que deu certo”, ocorrido na sala Marajoara, em 07.08.2014. Com coordenação da vice presidente do Conselho Federal de Enfermagem, Irene do Carmo Alves Ferreira, os palestrantes apresentaram casos em que a internet e os blogs serviram como extensão do atendimento a saúde.
 
 
“O blog hoje é muito mais que uma simples ferramenta de divulgação de conteúdos mas sim um novo olhar, uma nova forma de promover saúde e suas diversas formas de interação”, afirma Sebástian Freire, que é enfermeiro e atua na secretaria de saúde do Rio de Janeiro. 


Karen Santo apresentou o avanço na internet e o crescimento das enciclopédias virtuais na área da saúde. “Elas se tornaram infinitas, não são mais limitadas como as enciclopédias impressas”, afirma.

 
 
Segundo, Débora Aligieri, do fórum Diabetes e Democracia, “as redes virtuais são também uma forma de fortalecer a relação entre o usuário dos serviços de saúde e os profissionais da saúde, além de propiciar o conhecimento das necessidades dos pacientes através deles próprios”.

 
Os palestrantes incentivaram os participantes a serem mais atuantes nas redes, ampliando a produção científica, para além dos artigos científico, relatando também ações realizadas em suas unidades de atendimento.
 
Fonte: 17º CBCENF

 
 
As redes virtuais de fato uma forma de fortalecer a relação entre o usuário dos serviços de saúde e os profissionais da saúde, além de propiciar o conhecimento das necessidades dos pacientes através dos próprios. Mas pra isso, ainda é preciso trilhar um longo caminho de valorização dos conhecimentos práticos dos pacientes, muitas vezes ignorados em publicações sobre saúde. Uma das formas de se fazer isso é colocar em pauta a voz dessas pessoas nos debates sobre saúde, como ocorreu na nossa mesa de blogueiros.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Webinário: O saber em Saúde e o cuidado de si

Em março deste ano estive na IV Mostra de Experiências em Atenção Básica/Saúde da Família, realizada pelo Ministério da Saúde em Brasília. Além de conhecer experiências exitosas do Sistema Único de Saúde, raramente mostradas na mídia tradicional, conheci usuários do sistema e profissionais que inventam formas de ampliar e melhorar o acesso dos cidadãos brasileiros ao direito à saúde.


Além de parceiros de militância por uma saúde pública humanizada, encontrei lá novos amigos, pessoas com quem o contato me trouxe muitos questionamentos e reflexões, e crescimento como pessoa.


Ricardo Teixeira, médico sanitarista e professor da USP, companheiro da Rede HumanizaSUS, me apresentou seu colega, também médico e professor da UNESP, Antonio Pithon Cyrino, e me falou sobre sua pesquisa com os saberes dos portadores de diabetes tipo II, que resultou no livro Entre a ciência e a experiência. Uma cartografia do autocuidado no diabetes


Sem conhecimento sobre o modelo educacional de Paulo Freire, segundo o qual não há saberes superiores ou mais importantes - há saberes diferentes, comecei a ler o livro do Antonio para tentar descobrir o que poderiam saber esses pacientes, sem me dar conta de que eu era também uma dessas pessoas.


Embora eu seja portadora de diabetes tipo 1, me identifiquei bastante com os relatos dos portadores de diabetes tipo 2, e comecei a perceber que havia desenvolvido saberes ao longo dos meus 28 anos de diabetes.


Aproveitando a proximidade com o autor do livro, e por incentivo de outra colega da Rede HumanizaSUS, Rejane Alves, comecei a compartilhar as minhas reflexões à medida que surgiam com a leitura paulatina.


Antonio se prontificou imediatamente para uma conversa online ou ao vivo, e Ricardo sugeriu que este bato-papo ocorresse na Rede HumanizaSUS. Assim, com apoio da equipe de editores da RHS e da Política Nacional de humanização, realizamos em 15.08.14 o Webinário "O saber em saúde e o cuidado de si: Tudo que você queria saber e não sabia que já sabia".


domingo, 24 de agosto de 2014

Manifestação contra decisão judicial contrária à indicação médica - por Helena Rodrigues da Silva

Esta é o relato de Helena Rodrigues da Silva, mãe de Isabella Helena, portadora de diabetes tipo 1, que recebeu uma bomba de infusão de insulina do Estado, por ordem judicial, não correspondente às especificidades médicas definidas em relatório.  

O único profissional habilitado à indicação do tratamento adequado da doença da paciente é um médico especialista, que acompanha o desenvolvimento do quadro clínico do paciente. Não existe justificativa jurídica capaz de legitimar fornecimento de insumos e medicamentos que não atendem à prescrição médica.

Segue então a manifestação da Helena contra a decisão judicial contrária à indicação médica:

Gostaria de compartilhar com vocês minha luta pra conseguir o melhor tratamento disponível pra minha filha, com diabetes mellitus (DM) tipo 1 desde 2008. 

Em 2010 por indicação médica, ela passou a usar a bomba de insulina, porque com múltiplas injeções não tinha um bom controle glicêmico. Ela fez o teste drive com o sistema de infusão contínua (SIC) combo da Roche, se adaptou bem e o controle remoto desta bomba, que calcula as doses de insulina a serem aplicadas de acordo com a quantidade de carboidratos que será consumida, ajudou muito. Então entramos com o processo judicial.

Quando fui retirar a bomba não veio a combo, veio uma similar (accuchek spirit) sem o controle remoto, com a explicação de que o governo fornece somente esta, o que não era verdade, porque sei de outros pacientes que recebem a bomba com o controle remoto.

O nosso advogado pediu a troca. Segundo ele, o juiz respondeu que "com tanta falta de remédio na rede pública, eu não vou trocar a bomba só porque não tem o controle remoto".

Vocês podem perguntar: a bomba funciona sem o controle? Sim. O controle é indispensável pro paciente? Sim, pois este tem funções que a bomba sem ele não tem, tais como fazer as contas de carboidratos em cada refeição, conta de bolus de correção, rastreamento de insulina ativa em até 2 horas, evitando que se dê insulina demais e, consequentemente, hipoglicemias por excesso de insulina. Essas funções são importantíssimas pro paciente, e indispensáveis se tratando de crianças, como é o caso da minha filha, pois no horário escolar a professora não sabe fazer a contagem da razão insulina/carboidrato e do fator de sensibilidade, e não tem essa obrigação de saber, e minha filha não consegue fazer sozinha. 

Acredito que o laboratório Roche não teria investido em pesquisas e educação em diabetes se este controle não fosse importante, ele é parte integrante da bomba, ela não tem a função de contar os carboidratos e nem dos bolus refeição, nem rastrear insulina ativa, por isso que se tem o controle. A outra bomba de outro laboratório tem essas funções embutidas nela, então ao meu ver essas funções são importantes.

Agora me pergunto: moramos num país que tem muitos impostos, e quando precisamos de retorno temos que nos contentar com o que nos dão e ficarmos felizes? 

Se minha filha não tiver um bom controle glicêmico hoje ela terá graves complicações no futuro !!!!  

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Webinário - O saber em saúde e o cuidado de si: Tudo que você queria saber e não sabia que já sabia

Quando: 15 de agosto de 2014 (próxima sexta-feira)
Horário: das 15h às 17h
Onde: na Sala de Eventos da Rede HumanizaSUS com transmissão online pelo link http://www.redehumanizasus.net/13180-sala-de-eventos-rhs

A comunicação entre o portador de uma doença crônica e o seu cuidador envolve muitos aspectos, e a forma como ela se dá pode definir a diferença entre um resultado bom ou ruim, com melhor ou pior qualidade de vida para o paciente.

Na próxima sexta-feira, 15 de agosto, a Rede HumanizaSUS vai promover um Webinário sobre essa relação entre usuários e profissionais de saúde. Para falar do tema, a usuária do SUS Debora Aligieri e o médico e docente (UNESP) Antonio Pithon Cyrino farão um bate papo em rede com chat aberto, mediado pelo médico sanitarista e docente (USP) Ricardo Teixeira.

Mais do que um debate teórico, o webinário é a produção do encontro entre um médico diabetólogo e uma usuária que possui diabetes. Ambos serão desafiados a falar, não sobre a doença, mas sobre a complexidade da relação que se estabelece entre profissionais de saúde e usuários, sobre o instigante encontro entre saberes-poderes de naturezas distintas, porém ambos altamente relevantes.

Muitas vezes os profissionais de saúde simplesmente depositam seus conhecimentos teóricos sobre as pessoas, sem ao menos questionar se as orientações passadas são aplicáveis ou não à realidade de cada um em particular. O usuário, por sua vez, nem sempre conta à equipe o conhecimento que já tem sobre sua própria vida e sobre seu corpo e, mesmo sabendo que as orientações passadas não se adaptam à sua realidade, não questiona o profissional da saúde sobre uma alternativa para que o cuidado aconteça, mas de uma forma possível para a sua realidade concreta.

Quando alguém pensa “o médico diz para eu fazer isso porque não é ele que vai fazer” exprime justamente esse embate de realidades. De fato, não é a equipe de saúde que vive a vida do portador da doença, e o portador da doença não tem a vida do profissional que lhe passa as orientações. Na verdade, nem pacientes, nem profissionais de saúde, tem o mesmo tipo de vida entre si. Somos todos únicos e diversos em nossas vidas.

A oposição entre profissional de saúde (colocado no lugar daquele que tudo sabe) e paciente (quando visto como aquele completamente desprovido de conhecimento) impede que as orientações de “autocuidado” se efetivem em um “cuidado de si” porque ignora o que há de mais humano em cada pessoa: sua singularidade.

Nessa conversa, será debatida ainda a complexidade do cuidado em saúde de pessoas em condições crônicas, o que requer uma constante troca entre os saberes da experiência ou da vida cotidiana e o conhecimento técnico-científico.

O webinário é uma oferta de formação e conversação do Ministério da Saúde, por meio da Política Nacional de Humanização para o público em geral, realizado por duas frentes de atuação da PNH, a Rede HumanizaSUS e a Frente de Mobilização Social. O primeiro Webinário foi realizado no primeiro semestre de 2014, com o tema dos Fóruns de mobilização social, e pode ser acessado na íntegra, na Sala de Eventos da Rede HumanizaSUS.

PARTICIPE!!!




Quando: 15 de agosto de 2014
Horário: 15h-17h
Onde: Na Sala de Eventos da RHS
(acesso pelo link http://www.redehumanizasus.net/13180-sala-de-eventos-rhs)

Saiba mais sobre nossos convidados:

* Debora Aligieri é usuária do SUS e blogueira ativista em saúde (coordenadora do fórum Diabetes e Democracia)

* Antonio Pithon Cyrino é médico, prof. Dr. da faculdade de medicina da UNESP e autor do livro "Entre a ciência e a experiência: Uma cartografia do autocuidado no diabetes" - obra original resultante de estudo interdisciplinar que apresenta os "saberes da experiência" produzidos no cuidado-de-si por portadores de diabetes mellitus tipo 2.

* Ricardo Teixeira é médico sanitarista, prof. Dr. Da Faculdade de Medicina da USP e consultor da Política Nacional de Humanização

Outras informações:
Política Nacional de Humanização
61 3315 9130

Fonte: Rede HumanizaSUS