quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Diabetes, autocuidado e desmedicalização (ou sem sertralina e sinvastatina)

Há 29 anos tenho diabetes, e há 22 anos sou atendida pelo mesmo endocrinologista. Quando comecei a me tratar com ele, aos meus 16 anos, não debatíamos muito as prescrições dadas. Com o amadurecimento a profundamento do relacionamento médico-paciente, o autocuidado começou a ser pensado com a minha participação de forma mais ativa, propondo adaptações que melhor se aplicavam à minha vida prática às recomendações médicas. Relatei um pouco deste processo no texto "O espelho em que me reflito: compartilhando saberes com meu médico".

Foi justamente nesse espírito de abertura e debate democrático das melhores opções para o meu autocuidado é que busquei junto com ele alternativas não medicamentosas para questões relacionadas ao diagnóstico clínico e complicações comuns, e também ao meu próprio jeito de ser (nervosa). Também relatei no texto "Direito à saúde e o cuidado de si" nossos planos para eu deixar de usar os medicamentos sertralina e sinvastatina, com funções antidepressiva e preventiva de eventos cardíacos para pessoas com diabetes, respectivamente.

Relato então o que aconteceu durante esse processo de "desmame", e os efeitos práticos na minha vida (biologicamente e socialmente falando).


Sertralina

Buscando evitar uma crise mais aguda de abstinência em relação à sertralina, programamos uma redução gradual da dosagem até a sua efetiva suspensão: num primeiro momento, tomei metade da dose habitual (25mg, metade de 50mg) por 15 dias; num segundo momento, tomei essa dose (25mg) em dias alternados (dia sim, dia não) por 30 dias; e numa terceira fase, deixei de tomar a sertralina. Fiquei com uma receita da dose habitual (50mg) para o caso de ter algum problema sério de abstinência, que felizmente até hoje não precisei utilizar.

Meu médico havia me avisado que alguns sintomas físicos poderiam aparecer com a diminuição da dosagem, e eles de fato surgiram. No fim do primeiro dia com a meia dose, sentei-me para jantar e a mesa e o solo pareciam se mover. Também senti um pouco de enjoo. Isso se repetiu no segundo dia, mas no terceiro já não sentia mais nenhum sintoma físico de abstinência.

Nessa primeira fase, a parte emocional ficou um pouco desequilibrada, acarretando algumas oscilações glicêmicas em função da extrema variação de humor. Em alguns momentos me sentia feliz, e no instante seguinte me sentia sem ânimo para trabalhar ou fazer qualquer coisa. Os exercícios físicos amenizavam um pouco esses desânimos. Evitar situações sabidamente perturbadoras também me ajudou muito.

Algumas questões relacionadas especificamente ao autocuidado com o diabetes, uma certa rigidez com as regras de cuidado - e pouca tolerância à elevação da glicose - retornaram nesta fase, assim como questões de trabalho e de relações vieram com uma "roupagem" um pouco diferente.

Nas questões de diabetes, precisei passar por um novo processo de aceitação da impossibilidade de manutenção da glicemia dentro dos padrões de normalidade em tempo integral, e de que nem sempre seria possível realizar as atividades programadas. Isso aconteceu depois de um dia em que, querendo fazer os exercícios com a glicemia um pouco elevada, apliquei bolus adicional de insulina para não deixar de me exercitar. O pico da insulina ocorreu junto com o final dos exercícios, que costuma reduzir a minha glicemia em 80 mg/dl, e tive uma hipoglicemia severa (o que não acontecia há mais de ano).

Nas questões de trabalho e de relações, inicialmente consegui identificar as situações pelas quais não suportava passar, e entendi que definitivamente não precisava me forçar a passar por elas. Deixei de fazer o que não me agradava. Mas mesmo assim, continuava com dificuldades de elaborar melhores soluções para trabalhar e me relacionar melhor com as pessoas ao meu redor. Creditando o fato à abstinência, resolvi aguardar mais um tempo e ver se melhorava.

Essa primeira fase, na verdade, foi a mais difícil, pois, conforme explicou meu médico depois, saí de uma dose efetiva da sertralina para uma dose inefetiva.

Na segunda fase, tive as mesmas dificuldades emocionais, com um pouco menos de intensidade, e a glicemia oscilou um pouco menos. Ainda sim, sentia que poderia encontrar formas mais harmônicas de trabalhar e viver.

Na terceira fase - desmame completo, suspensão da sertralina - a glicemia não oscilou, tive menos variações de humor, mas senti a necessidade de auxílio para compreender as minhas dificuldades diárias com o trabalho e no trato com as pessoas queridas. Embora não programado com meu médico inicialmente, julguei por bem retomar a terapia com a psicóloga, com quem me tratei por dez anos até 2009, principalmente tratando questões do diabetes. Dessa vez, retomei a terapia para abordar a minha vida em suas outras nuances.

Uma semana sem sertralina, comecei a me sentir mais viva, mais própria em minha vida. Os poemas que costumava escrever desde criança - e que durante o tempo em que tomei a sertralina habitaram pouco os meus pensamentos - retornaram com força total. Em uma semana escrevi 3 poemas (um deles coloquei ao final deste texto).

Agora estou há cinco meses sem a sertralina, e me sinto bem.


Georges Braque, Femme à la palette



Sinvastatina

A sinvastatina foi recomendada como tratamento preventivo de eventos cardíacos, comuns em pessoas com diabetes há muitos anos, como é o meu caso. Mas depois de ler sobre a ausência de comprovação da sua efetividade, e de que existem inúmeros efeitos adversos - incluindo eventos cardíacos - combinei com meu médico a suspensão imediata do medicamento, substituído por dieta alimentar voltada à redução do LDL (colesterol ruim).

Retirei manteiga, queijos amarelos (substituídos por cottage), e carne vermelha do meu cardápio diário, deixando apenas para os fins de semana, eventualmente (como já fazia antes com alimentos com açúcar para controle da glicemia). Aumentei a quantidade de saladas e verduras cruas (passando a comprar produtos orgânicos), comecei a consumir mais frutas com aveia, e o chocolate, que não consumo diariamente, ficou restrito aos produtos com 70% de cacau ou mais (os normais permanceram para consumo eventual nos fins de semana).

A carne vermelha foi substituída por peixe - sempre assado, sem óleo, com azeite extra virgem acrescentado depois de servido no prato - e tive uma grata surpresa. Peixes de águas frias são ricos em ômega 3, que aumenta a sensibilidade à insulina (1). Depois de uma semana me alimentando de peixe, precisei diminuir a dose diária de insulina, justamente porque a sensibilidade ao hormônio aumentou.

Quando decidimos suspender a sinvastatina, meu médico me explicou que a prescreveu para que eu ficasse com o LDL mais abaixo do recomendado normalmente (100mg/dl). O valor do LDL é verificado conforme a seguinte conta: (triglicérides/5) + HDL - colesterol total = -80 (ou abaixo). Os meus últimos valores tomando a sinvastatina eram: [(triglicérides)36/5] + (HDL)71 - (colesterol total)159 = - 80.8 mg/dl (LDL no limite pretendido). Depois de 3 meses seguindo a nova dieta ficaram assim: [(triglicérides)43/5] + (HDL)66 - (colesterol total)168 = - 93.4 mg/dl (LDL um pouco mais elevado, mas ainda no limite pretendido).

Com esses resultados, acrescidos do baixo valor - 0,06 mg/dl - do exame de proteína c reativa (PCR) que é um marcador de risco coronariano (2), meu médico concordou que não seria mesmo o caso de indicar a sinvastatina para mim, e que eu poderia continuar seguindo a dieta alimentar sem tomar a sinvastatina.


Georges Braque, Les Poissons noirs


Ramipril: foi suspenso, já que não tenho mais crises de esofagite nem dores de estômago.


Cetoprofeno e diclofenaco

Para prevenir e evitar as fortes coolicas menstruais, que já me levaram várias vezes ao hospital, meu médico recomendou que 3 dias antes de menstruar eu tomasse cetoprofeno, e quando sentisse coolicas fortes durante a menstruação, tomasse diclofenaco (até dois comprimidos de uma única vez). Ambos são prejudiciais aos rins (3).

Já havia incorporado a prática de exercícios de musculação à minha rotina diária desde o diagnóstico de neuropatia em 2013. Particularmente a musculação auxilia bastante na redução das dores nas pernas. Mas acabei percebendo que com a constância dos exercícios, as dores das coolicas também diminuiram, fazendo cessar a necessidade da administração preventiva do cetoprofeno. Mas algumas vezes ainda sentia coolicas fortes nos dois primeiros dias de menstruação.

Tentei então as práticas populares para lidar com a dor da coolica, fazendo bolsa de água qunte, tomando chás e bebidas quentes, e, persistindo a dor, tomando banho de banheira com água quente, quase fervendo. Dessa forma, apenas em último caso (se a pressão cai ou se uma diarreia ocorre em função da dor) tomo o diclofenaco. Nos últimos cinco meses, somente em dois deles precisei tomar, e um comprimido se mostrou suficiente para aliviar a dor intensa, ocorrida somente quando a menstruação desce.

Mas precisei adaptar minha vida, esperando um pouco mais os resultados dessas medidas naturais de combate às coolicas, ou seja, nas primeiras horas da menorreia tenho que ter paciência para me cuidar e saber que o tempo de trabalhar, ou de qualquer outra atividade, sofrerá uma pausa para o meu autocuidado. Parece fácil, mas isso é algo difícil de se (não) realizar em tempos de produção capitalista non-stop!


Georges Braque, Femme nue assise

Tabaco

O cigarro é um vício que tenho há 20 anos aproximadamente. Meu médico e eu sempre conversamos sobre formas de abandoná-lo. Já aumentei a dosagem de sertralina para para de fumar enquanto fazia um tratamento com acupuntura a laser, e consegui me abster por alguns meses, retornando depois a fumar. Em 2014 parei de fumar sem nenhum tratamento (ou aumento da dosagem do antidepresssivo) por 3 meses, e retornei a fumar um tempo depois.

Na última consulta começamos então a pensar em redução de danos, já que parar de fumar abruptamente não funcionou antes, e também poderia causar oscilações glicêmicas importantes pelas crises nervosas de abstinência.

Já estava fumando cigarro de tabaco enrolado em casa, pois essa é uma forma mecânica de diminuir o fumo. Até então, fumava 3 cigarros por dia (após cada refeição), feitos com uma seda grande.

Meu médico então sugeriu 3 fases de redução: num primeiro momento, reduzir o tamanho da seda e continuar com os 3 cigarros diários; num segundo momento, apenas 2 cigarros pequenos por dia (deixando de fumar após o café da manhã); e num terceiro momento, fumar apenas um cigarro pequeno por dia, ao anoitecer.

Agora estou na segunda fase (dois cigarros pequenos por dia), mas a minha grande dificuldade atual é manter esse esquema nos fins de semana, e quando amigos queridos me acompanham para fumar em ocasiões de festas. Até o fim do ano vou tentar manter apenas os dois cigarros pequenos, seja qual for a ocasião. E depois do fim do ano, tentarei atingir o objetivo planejado: apenas um cigarro pequeno por dia ao anoitecer.

E quem sabe assim um dia, naturalmente, eu pare de fumar esse cigarro diário...


Georges Braque, Les Oiseaux Noirs


Poesia (4)


Pássar-a-bstrata

Nessa vida passarinha
somente tuas asas te sustentam
o ar que respiras
e o ar em que voas
são a mesma matéria
Por isso respira
antes de te lançares ao ar
pra que não te desmaterializes
em pleno voo
E se o voo é breve, sê brava
e voa sem matéria
pois teu voo na verdade
teus sonhos é que sustentam!


Débora Aligieri




Referências:

(1) Ômega 3: a gordura aliada do cérebro e do coração - Revista Minha vida: http://www.minhavida.com.br/alimentacao/tudo-sobre/17235-omega-3-a-gordura-aliada-do-cerebro-e-do-coracao

(2) Proteína-C-Reativa e Doença Cardiovascular. As Bases da Evidência Científica - Scielo: http://www.scielo.br/pdf/abc/v80n4/a10v80n4.pdf

(3) Anti-inflamatórios não esteroides - Wikipedia: https://pt.wikipedia.org/wiki/Anti-inflamat%C3%B3rios_n%C3%A3o_esteroides

(4) Seção "Versos Satânicos" - blog Jornal do Apocalipse: http://jornalapocalipse.blogspot.com.br/search/label/Versos%20sat%C3%A2nicos

sábado, 17 de outubro de 2015

Sensor de glicose com defeito - direito à troca

Desde junho de 2012 faço uso da terapia com bomba de infusão de insulina com monitorização contínua da glicose intersticial. Recebo (embora faltem bastante) os meus insumos da bomba pelo SUS - incluindo os sensores de glicose - por ordem proferida em processo judicial.

Em setembro deste ano, recebi uma caixa de "sofsensor" da medtronic com validade para 1º de dezembro de 2015. Boa parte dos sensores que utilizei funcionaram normalmente, mas um deles, apesar de estar dentro do prazo de validade, apresentou defeito, fato que descobri da seguinte forma:

Inseri o sensor na pele seguindo todos os passos recomendados (estou bem acostumada aos procedimentos já que utilizo o sensor há 3 anos), sem provocar sangramento. Aguardei por 15 minutos para ligar o minilink, mas, quando o liguei, a luz verde (que indica a realização de contato entre o sensor e o transmissor) não acendeu.

Esperei então por mais 15 minutos, recoloquei o minilink para carregar, e passados os 15 minutos (o transmissor já estava carregado e desligado do carregador há mais de 5 minutos) tentei novamente ligar o minilink, e mais uma vez a luz verde não acendeu. Testei o transmissor no dispositivo de teste e a luz verde se acendeu normalmente. 


Esperei por mais duas horas (nesses três anos de uso da bomba, em uma ocasião de madrugada, o sensor demorou por volta de uma hora para fazer contato com o minilink, achei que podia estar acontecendo o mesmo), mas quando tentei novamente a luz verde não acendeu.

Inseri então um outro transmissor (o primeiro havia sido colocado no braço esquerdo e o segundo foi colocado no braço direito, utilizo os braços para instalar os sensores fazendo o rodízio dos locais de inserção) e passados os 15 minutos liguei o minilink e a luz verde acendeu normalmente, mostrando que a falha era do sensor previamente colocado.

Como já expliquei no post "Segurança e eficácia dos produtos para saúde - bomba de insulina", qualquer produto colocado à venda no mercado de consumo deve servir adequadamente ao uso a que se destina - ou seja deve funcionar sem apresentar qualquer defeito (artigo 12, § 1º, do Código de Defesa do Consumidor). Isso vale também para equipamentos médicos, porque os produtos colocados no mercado de consumo não podem acarretar riscos à saúde ou segurança dos consumidores (artigo 8º, do CDC).

Ainda que o equipamento de saúde tenha sido recebido do Estado, a Anvisa, que regula a comercialização de produtos para saúde para os setores privado e público (todos nós cidadãos), dispõe que eles não podem colocar em risco a saúde das pessoas, e portanto devem servir ao uso sem qualquer problema durante o seu prazo de validade.

Conforme o artigo 12 do Código de Defesa do Consumidor, o fabricante/comerciante é responsável pelos defeitos que o produto apresentar, independente da culpa de quem o usa, ou seja, a empresa que comercializa o sensor (Medtronic) deve garantir a segurança e o bom desempenho do produto, e se ele apresentar defeito, tem a obrigação de substituir por outro que funcione.


Verificado o defeito, entrei em contato com a Medtronic por telefone (0800-7739200, opção 2) e noticiei à atendente a falha do meu sensor, solicitando a troca. Ela anotou meus dados e meu relato, me fez mais algumas perguntas (se havia sangrado e onde eu havia instalado o primeiro e o segundo sensores), e me orientou a enviar um e-mail para o endereço eletrônico "atendimento.diabetes@medtronic.com" com foto do sensor defeituoso (informei que havia guardado o produto com defeito) e narrativa do ocorrido.


Procedi conforme orientadado da atendente, e aproximadamente dez dias depois ela me retornou a ligação para avisar que os novos sensores estavam a caminho (chegaram no dia seguinte), e passou mais uma orientação: caso ocorra esse defeito novamente, eu devo entrar em contato com o serviço de atendimento da medtronic pelo 0800 antes de retirar o sensor, para facilitar a constatação do defeito e agilizar a troca.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Defensoria expõe dados sobre contaminação de alimentos em parceria com a Sociedade Civil

6 e 7/10, em Santo André

Audiência Pública acontece em Santo André nos dias 6 e 7 de outubro, das 9h às 18h; dados levantados pela Defensoria e exposições de especialistas apontam índices preocupantes de contaminação de alimentos e da água

A Defensoria Pública do Estado de São Paulo em Santo André, no Grande ABCD Paulista, realizará, nos dias 6 e 7 de outubro, audiência pública para debater a contaminação por agrotóxicos nos alimentos consumidos no município, em parceria com diversas associações e entidades que atuam na área da proteção ambiental e do consumidor.

O evento acontecerá no Auditório das Faculdades Integradas Coração de Jesus (FAINC) e terá como objetivo expor e divulgar os dados de pesquisas recém efetuadas na água e alimentos consumidos na região, além de coletar informações, debater e propor encaminhamentos a respeito do impacto do uso de agrotóxicos na saúde humana e no meio ambiente.

A região do ABCD paulista, em especial a cidade de Santo André, foi pioneira na instalação das indústrias químicas no país (fertilizantes e pesticidas), na década de vinte. Segundo relatório da CETESB, o número de áreas contaminadas por essas indústrias é preocupante, gerando um passivo ambiental difícil de ser administrado, que impacta a qualidade do meio ambiente e dos alimentos produzidos na região até hoje.


Especialistas e Movimentos Sociais
 
Durante os dois dias de debates, haverá também exposições de especialistas como Flávia Londres (Agência Nacional de Águas), a Promotora de Justiça Greicia Malheiros (Ministério Público de Santa Catarina), Renata Amara (consultora do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor - IDEC) e as Professoras Sonia Hess (UFSC) e Karen Friedrich (ABRASCO).

Dentre as autoridades convidadas, destacam-se representantes do Ministério da Agricultura, da Secretaria de Estado da Agricultura, da Vigilância Sanitária Estadual, da CEAGESP, da Associação de Supermercados e das empresas municipais de abastecimento alimentar e distribuição de água (CRAISA e SEMASA) da região do ABCD.

A palavra será aberta para manifestações de representantes de Grups e Movimentos Sociais, Associações Civis, Conselhos e Universidades. A audiência pública é aberta à participação de todas as pessoas interessadas e não é necessária prévia inscrição.

A iniciativa conta com apoio de diversas entidades da Sociedade Civil: Associação de Agricultores Orgânicos (AAO), Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida, Federação dos Trabalhadores do Ramo Químico da CUT do Estado de SP (FETQUIM), IDEC, Instituto Kairós, Movimento Urbano de Agroecologia de São Paulo (MUDA-SP), Sindicato dos Nutricionistas do Estado de São Paulo, Sindicato dos Químicos do ABC, além de contar com apoio da FAINC. Na Defensoria, o evento conta com apoio da Ouvidoria-Geral e da Escola da Defensoria Pública do Estado.

Programação completa:
 
 

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Ministério da Saúde e OPAS/OMS desenvolvem o projeto “Zero Mortes Maternas por Hemorragia” no Brasil

Brasília, 21 a 24 de setembro de 2015 - No âmbito do Projeto Regional “Zero Mortes Maternas por Hemorragia 2014-2015”, o Ministério da Saúde do Brasil deu início a duas oficinas de treinamento por meio de simulação em técnicas de prevenção e manejo de hemorragia pós-parto. As técnicas ensinadas constituem intervenções exitosas de promoção, prevenção, diagnóstico e tratamento oportuno e adequado de hemorragias pós-parto com objetivo de reduzir mortes maternas por essas causas.



“Zero Mortes Maternas por Hemorragia 2014-2015” é um projeto interdepartamental da OPAS/OMS que tem como principal objetivo contribuir para a redução da morbidade e mortalidade maternal. Esse projeto envolve as seguintes áreas técnicas e parceiros: Família, Gênero e Curso de Vida; Sistemas e Serviços de Saúde; Análise de Saúde e Doenças Transmissíveis; Desenvolvimento Sustentável e Equidade em Saúde; Departamento Jurídico; Doenças Não-Transmissíveis e Saúde Mental, Gestão do Conhecimento, Pesquisa e Bioética, o Centro Latino-americano de Primatologia (CLAP/OPAS/OMS) e o apoio da Federação Latino-americana de Sociedades de Obstetrícia e Ginecologia (FLASOG).

Dados mostram que a hemorragia pós-parto é uma das principais causas de morte materna no Brasil, devido a isso, faz-se necessário o fortalecimento das competências dos professionais para melhorar a qualidade da atenção às mulheres em situação de hemorragia pós-parto.



Nas oficinas foram trabalhados os temas envolvidos na hemorragia pós-parto: manejo ativo do terceiro período do trabalho de parto, manejo da hemorragia pós-parto, código vermelho obstétrico, manejo da mulher em situação de near miss com hemorragia obstétrica.

Durante esses dias foram avaliadas as competências e habilidades no manejo da hemorragia pós-parto e apresentar um esboço do plano de ação contendo a situação atual, a desejada e os movimentos a serem disparados.

Os 80 profissionais capacitados serão agentes facilitadores para a réplica das técnicas em outros lugares do país, alcançando maior cobertura de profissionais capacitados e com maior capacidade resolutiva. Participaram das oficinas profissionais de saúde de diferentes estados: Maranhão, Ceará, Pará, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Tocantins.



As oficinas contaram com o apoio e assistência técnica de Bremen de Mucio e Claudio Sosa, do CLAP/OPAS/OMS; de Carlos Fuchtner, Maria Fernanda Escobar Vidarte e Arturo Cardona, da FLASOG; de Esther Vilela, da Área Técnica da Saúde da Mulher do Ministério de Saúde do Brasil; e de Haydee Padilla e Adriano Tavares da OPAS/OMS no Brasil.

Fonte: Organização Pan-Americana da Saúde - OPAS

sábado, 26 de setembro de 2015

Riscos e impactos negativos da aprovação do PL 5069/13 para a vida das mulheres e meninas brasileiras

O Projeto de Lei 5069/2013, de autoria do Deputado Eduardo Cunha e outros (veja aqui), prevê que as vítimas de estupro só poderão receber atendimento hospitalar após a realização de um exame de corpo de delito, realizado pelo Instituto Médico Legal, depois de terem registrado queixa na polícia. Além disso só considera violência sexual os casos que resultam em danos físicos e psicológicos. Hoje, a lei brasileira considera violência sexual qualquer forma de atividade sexual não consentida.

Além disso, a proposta remove do atendimento de saúde os tratamentos preventivos como a pílula do dia seguinte e o coquetel anti-HIV, o fornecimento de informações às vítimas sobre os direitos legais e todos os serviços sanitários disponíveis a ela. No Brasil, casos de estupros são um dos poucos em que o aborto é permitido por lei. O projeto em questão acaba com esse direito, com o argumento de que pretende “refrear a prática do aborto, que vem sendo perpetrado sob os auspícios de artimanhas jurídicas, em desrespeito da vontade amplamente majoritária do povo brasileiro.
 

O PL seria analisado nesta terça-feira pela Comissão de Constituição de Justiça e de Cidadania, mas a pedido da Deputada Erika Kokai foi retirado de pauta. De qualquer forma, nós, cidadãos brasileiros devemos lutar para que este retrocesso em relação à saúde da mulher seja completamente rechaçado pelo Congresso Brasileiro. Vamos assinar a petição da avaaz e dizer que não aceitamos as mudanças que importam em diminuição dos direitos da mulher. Este é o link para assinar a petição: https://secure.avaaz.org/po/petition/Camara_dos_Deputados_Rejeitem_o_Projeto_PL_50692013/?snoROab

Segue nota de repúdio à proposta assinada por várias organizações e entidades de defesa da mulher e da cidadania.


Deputados e Deputadas,
É urgente que digam NÃO ao PL 5069/2013, pois sua aprovação significa um enorme retrocesso para a vida de mulheres e meninas.
Com o objetivo inicial de aumentar ainda mais a criminalização da interrupção da gravidez, o substitutivo do PL que agora está sob sua apreciação propõe impedir a prevenção de gravidez para os casos de estupro, ou seja, retroceder no que hoje é um direito.
Aprovar esse projeto é ser conivente com uma grave injustiça que recai sobre as vítimas de violência sexual. O Código Penal de 1940 tinha uma definição limitada quanto ao crime de estupro, que foi aprimorada com o artigo 2º da Lei 12.845, de 2013, que define estupro como “qualquer forma de atividade sexual não consentida”. O PL 5069/2013 propõe a supressão desse importante artigo e, com isso, impõe às mulheres e meninas a necessidade de exame de corpo de delito para comprovar a violência sexual.
Se os senhores aprovarem esse PL, mulheres e meninas serão novamente submetidas à “Via Crucis” da revitimização, da violência do Estado, para que possam “comprovar” os abusos e violências que sofreram.
Este projeto de lei expressa, em sua proposta original e no seu substitutivo, a insensibilidade, o machismo e a truculência legislativa que desconsideram a realidade cruel da violência sexual contra mulheres e meninas. Na prática, serão negados procedimentos de atenção em saúde importantes para que vítimas de violência possam retomar suas vidas, tais como a anticoncepção de emergência e o direito ao aborto legal eseguro nos casos já previstos em lei. Que utilidade pública teria essa nova legislação além de impor ainda mais sofrimento às mulheres e meninas?
A proposta ainda penaliza os (as) profissionais de saúde que realizarem o atendimento. Dessa forma, aqueles (que) que porventura auxiliem nos casos de aborto (mesmo previstos em lei) teriam pena que vai de 5 a 10 anos de prisão. Um verdadeiro absurdo!
Essa proposta é, sem dúvida, inconstitucional, visto que a dignidade da pessoa humana é fundamento do Estado Democrático de Direito. De maneira complementar, o direito à saúde é garantido na Constituição Federal em sua integralidade, portanto as vítimas de violência têm direito a um atendimento à saúde digno e integral, não lhes podendo ser negado nenhum acesso a meios, métodos ou insumos que visem a melhoria da sua condição de saúde.
Senhores Deputados, negar o atendimento dos casos de violência sexual e/ou abortamento é omissão de socorro e criminalizar os (as) profissionais de saúde que prestam essa assistência é, mais uma vez, colocar em risco a vida das mulheres brasileiras.
Para os devidos esclarecimentos: o método de anticoncepção de emergência (AE) que se pretende proibir, também conhecido por “pílula do dia seguinte”, utiliza compostos hormonais concentrados e por curto período de tempo, nos dias seguintes do contato sexual. Diferente de outros métodos anticonceptivos, a AE tem indicação reservada a situações especiais ou de exceção, com o objetivo de prevenir gravidez inoportuna ou indesejada, como nos casos de estupro. Ou seja, é indicada para que a vítima não seja obrigada ao risco e consequência de uma gravidez advinda de violência sexual.
Esse atendimento em saúde é o que se chama de “profilaxia da gravidez”! Portanto, é importante que se esclareça que profilaxia da gravidez não é aborto.
Por fim, lembramos a Vossas Excelências que, somente 2013, foram notificados 22.914 casos de violência sexual contra pessoas do sexo feminino. Em 33,4% dos casos as vítimas foram meninas de 10 a 14 anos; em 33,4% dos casos, meninas de 15 a 19 anos e; em 23,3% dos casos, mulheres de 20 a 59 anos.
É por razões como esta que o PL 5069/2013 não pode prosperar!
Isso é o que metade desta nação, mulheres e meninas brasileiras, esperam dos/as Deputados e Deputadas.

Assinam esta nota:
Anis – Instituto de Bioética
Articulação de Mulheres Brasileiras
Camtra – Casa da Mulher Trabalhadora
Católicas pelo Direito de Decidir
Casa da Mulher Catarina
Central Única dos Trabalhadores – CUT
CFEMEA
CLADEM Brasil
Consulta Popular
Grupo Curumim – Brasil
Fórum de Mulheres do DF
Liga Brasileira de Lésbicas
Movimento Estratégico pelo Estado Laico
Marcha Mundial das Mulheres
Rede Feminista de Saúde
REF – Rede economia e feminismo
SOF – Sempreviva organização feminista
União Brasileira de Mulheres

Fonte: Marcha Mundial das Mulheres



segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Documentário Chomsky & Cia - análise da indústria da opinião pública no mundo

Noam Chomsky (1) possivelmente se tornou um dos pensadores mais influentes desde a segunda metade do século XX. O documentário foca nos seus ideais políticos do filósofo e constrói um percurso complexo que revitaliza o uso de imagens de arquivo com montagens eloquentes e um pouco de humor, bem como entrevistas com intelectuais expositivas, longe de qualquer vício acadêmico. Mostra os ideais políticos, muitas vezes controversos, do linguista Noam Chomsky, destacando sua maneira de compreender os truques e paradoxos no funcionamento das democracias neoliberais.

Segundo o economista Ladislau Dowbor, este é um grande documentário apresentado na TVEscola, fantástica análise da indústria da opinião pública no mundo. 


Como os interesses privados de empresas multinacionais e os interesses políticos de certos setores da sociedade direcionam a criação de pautas nos noticiários, e como, pelos mesmos interesses, ocultam outras pautas, num processo de fabricação do consentimento, ou fabricação da verdade. O documentário mostra como funciona esse esquema de formação e dominação da opinião pública através das notícias (e das não notícias) e da publicidade indireta.

Capítulos: 
1 - 05:42 - Quem é Noam Chomsky 
2 - 08:35 - Lavagem cerebral e liberdade - Fabricação de consentimento 
3 - 36:40 - Pequeno Curso de Autodefesa intelectual 
4 - 55:43 - Camboja / Timor Leste - Duas Tragedias, Duas Medidas 
5 - 1:07:00 - Liberdade de expressão - Controversia entre Chomsky e Naquet sobre o caso Faurisson (Negação do holocausto judeo) 
6 - 1:17:25 - Contra a guerra no Vietnam. Contra a guerra no Iraque 
7 - 1:32:15 - O dia após a revolução; o papel do Estado 
8 - 1:35:30 - É possível classificar Chomsky? 
9 - 1:38:15 - A luta agora 




(1) Chomsky e a produção da verdade - texto de Jacques Bouveresse publicado em 04 de maio de 2010 no Le monde diplomatique Brasil

terça-feira, 8 de setembro de 2015

VER-SUS e RHS: dispositivos de diálogo na formação em saúde e nos serviços de saúde

"Começo essa postagem falando um pouco do que está me movimentando ultimamente...". Essa é a frase que dá início ao primeiro post publicado na Rede HumanizaSUS relatando uma vivência do VER-SUS, de Thatiane Veiga (http://www.redehumanizasus.net/12671-nos-caminhos-do-sus). Com essa ideia, do que nos movimenta ultimamente nesta rede de afetos, aproveitando o encerramento do "Encontro Paulista do VER-SUS" (http://www.redehumanizasus.net/91740-encontro-paulista-do-ver-sus-produzindo-reflexoes-e-acoes-no-campo-da-formacao-em-saude) é que pretendo mostrar um recorte a partir da RHS dessas vivências e estágios na realidade do Sistema Único de Saúde, conectando os pontos que unem trabalhadores, gestores e usuários do SUS na formação de pessoas que buscam o fortalecimento da saúde enquanto direito.

Destaco inicialmente os dois pontos "de organizações" deste diálogo: VER-SUS e RHS.

Em sua apresentação (http://www.otics.org/estacoes-de-observacao/versus/versus/apresentacao) o VER-SUS é definido como um projeto que "possibilita o despertar de uma visão ampliada do conceito de saúde, abordando temáticas sobre Educação Permanente em Saúde, quadrilátero da formação, aprendizagem significativa, interdisciplinaridade, Redes de Atenção à Saúde, reforma política, discussão de gêneros, movimentos sociais, questões que estão intrinsecamente relacionadas à saúde, ao SUS."




Em inafastável paralelismo, a Rede HumanizaSUS se apresenta como "a rede social das pessoas interessadas e/ou já envolvidas em processos de humanização da gestão e do cuidado no SUS. Nosso objetivo é criar uma rede de colaboração, que permita o encontro, a troca, a afetação recíproca, o afeto, o conhecimento, o aprendizado, a expressão livre, a escuta sensível, a polifonia, a arte da composição, o acolhimento, a multiplicidade de visões, a arte da conversa, a participação de qualquer um." (http://www.redehumanizasus.net/4-a-rede-humaniza-sus)

A Rede HumanizaSUS surgiu em 2007 para mostrar o "SUS que dá certo", com uma outra visão do sistema público de saúde na disputa de narrativas e de sentidos que vivemos desde a criação do SUS com as promulgações da Constituição Federal de 1988 e da Lei do SUS de 1990, que permitiram à iniciativa privada a prestação de serviços de saúde. Essa disputa afigura-se muito clara num cenário com financiamento de campanhas eleitorais por planos de saúde, que também ocupam os espaços publicitários da mídia em geral.

Além de divulgar ações exitosas do sistema público de saúde, a RHS surgiu como espaço de trocas de experiências entre os trabalhadores do SUS, e como plataforma de aprofundamento das reflexões sobre as práticas da humanização em saúde, a partir das diretrizes da Política Nacional de Humanização (PNH).

Permitindo a participação de qualquer pessoa, e frequentada por gestores, trabalhadores e usuários do SUS, a RHS constituiu-se como campo aberto a experimentações e vivências.

Uma das experiências que vem movimentando bastante a RHS durante este ano de 2015 é a utlização da rede na formação em saúde. No post "Gestão, administração e processos de trabalho: a RHS como sala de aula da UNB e encontros incidentais entre fluxos de RHS-nautas" (http://www.redehumanizasus.net/92039-gestao-administracao-e-processos-de-trabalho-a-rhs-como-sala-de-aula-da-unb-e-encontros-incidentais-entre-fluxos-de-rhs-na) Miguel Maia faz uma excelente análise do encontro promovido pelo Professor Gustavo Nunes de Oliveira entre seus alunos de Gestão em Saúde Coletiva da Universidade de Brasília (UnB) e os usuários, gestores e trabalhadores do SUS dentro da Rede HumanizaSUS.






A primeira turma do Professor Gustavo (http://www.redehumanizasus.net/91790-alo-alo-rhs-boas-vindas-a-uma-nova-turma-de-gestao-em-saude-coletiva-unb), além de permitir que vivêssemos com os alunos a experiência do aprender numa rede de afetos - que nos enriquece como pessoas e como espaço de "construção daquilo que muitas das vezes buscamos idealizar", de "casamento da teoria com a prática", como bem expressou Loyanne Chaves (http://www.redehumanizasus.net/91068-a-todos-o-meu-muito-obrigado), transformou o espaço de uma aula em exercício compartilhado da cidadania e da democracia, de forma que o conhecimento não fique preso aos muros da universidade, como podemos presenciar em inúmeros posts da tag "GSCUNB" (http://www.redehumanizasus.net/category/tags/gscunb), entre eles o belo debate sobre acolhimento do post "A escuta" de Carina Paiva (http://www.redehumanizasus.net/90510-a-escuta).




Além dos alunos da UnB, a RHS já contava com a participação dos estudantes de psicologia da Faculdade Integrada de Santa Maria (FISMA), cujos posts estão reunidos na tag "FISMA" (http://www.redehumanizasus.net/taxonomy/term/25046), e mais recentemente com a turma de psicologia do Professor Fabio Hebert da Universidade Federal do Espírito Santo (http://www.redehumanizasus.net/92072-a-experiencia-de-compartilhar-experiencias-de-sus), estreando com o potente post de Victoria Pianca "Relato de um primeiro contato com o SUS" (http://www.redehumanizasus.net/92077-relato-de-um-primeiro-contato-com-o-sus) sobre sua visita a uma unidade básica de saúde.






Neste mesmo contexto de formação em saúde em rede estão os relatos sobre o VER-SUS. Dando um "rolezinho" pelo VER-SUS na Rede HumanizaSUS podemos verificar que:

- há 22 posts (número que provavelmente vai aumentar após o trabalho dos editores com a regularização do tageamento) na tag "VER-SUS": http://www.redehumanizasus.net/taxonomy/term/24874;

- a busca com o termo "ver-sus" na RHS apresenta 85 resultados, incluindo posts, comentários e perfis: http://www.redehumanizasus.net/search/node/ver-sus;

- desses resultados, 14 são perfis em que o usuário da RHS se define como vivente do VER-SUS (e revela como as vivências afetam os estudantes que delas participam, a tal ponto do VER-SUS ser incorporado à sua definição enquanto pessoa): http://www.redehumanizasus.net/search/node/ver-sus?page=8 e http://www.redehumanizasus.net/search/node/ver-sus?page=7

E o que dizem os posts da tag "VER-SUS" sobre o VER-SUS?

O VER-SUS faz a gente acreditar na continuidade do Sistema Único de Saúde (http://www.redehumanizasus.net/92167-encontro-afetivo-com-coordenadores-do-ver-sus-sao-paulo-e-viventes), produzindo ações e reflexões no campo da formação em saúde (http://www.redehumanizasus.net/91740-encontro-paulista-do-ver-sus-produzindo-reflexoes-e-acoes-no-campo-da-formacao-em-saude), como um novo espaço de aprendizagem (http://www.redehumanizasus.net/91107-inscricoes-abertas-para-o-ver-sus-inverno-2015-rmr).


O VER-SUS, uma oportunidade para universitários conhecerem o SUS (http://www.redehumanizasus.net/91104-ministerio-da-saude-abre-inscricoes-para-ver-sus-2015-na-sms), permite estimular uma aproximação dos estudantes de graduação com os territórios e o fortalecimento dos diálogos entre gestão e serviços de saúde (http://www.redehumanizasus.net/91013-ver-sussao-paulo-formacao-politica-em-saude-na-escola-nacional-florestan-fernandes-do-mst), (re)inventando o trabalho em saúde (http://www.redehumanizasus.net/88944-projetos-terapeuticos-singulares-e-projetos-singulares-de-gestao-o-ver-sussao-paulo-em-maua-reinventando-o-trabalho-em-sau).


É uma oportunidade única (http://www.redehumanizasus.net/88745-projeto-ver-sus-no-rio-grande-do-norte-conclui-mais-uma-edicao) de aprendizagem no cotidiano de trabalho das organizações e serviços de saúde (http://www.redehumanizasus.net/88504-ver-sus-alagoas) ao incentivar o debate político e ressaltar a capacidade da participação popular para a construção de um SUS cada vez mais forte (http://www.redehumanizasus.net/88453-participantes-do-ver-sus-exigem-formacao-voltada-para-o-sus-na-univasf).

Consiste numa importante ferramenta de educação em saúde que visa ressignificar a formação acadêmica (http://www.redehumanizasus.net/88423-ver-sus-no-vale-do-sao-francisco-ressignificando-a-formacao-de-profissionais-da-saude) para aproximar e fortalecer a relação entre ensino-serviço-comunidade (http://www.redehumanizasus.net/88296-compartilhando-para-conhecer-convite-para-as-novas-vivencias-do-ver-sus-em-sao-paulo). Defendemos, aqui, um modelo de atenção à saúde pautada na vida dos usuários, individuais e/ou coletivos, através do cuidado (http://www.redehumanizasus.net/85968-o-sus-que-da-certo-narrativas-e-reflexoes-dos-estudantes-do-ver-sus-sao-paulo).


Um abraço que se troca, um olhar que se lança sugere partilha de afeto, sugere atitude de “sair de si e voltar pra si”. O “eu” se resolve na relação com o “nós” (http://www.redehumanizasus.net/79263-ver-sus-2014-em-vivencia-de-aprender-e-ensinar) visando entender o Sistema no qual estamos inseridos (http://www.redehumanizasus.net/64850-ver-sus-santa-maria-edicao-inverno-2013), transbordando e trocando afetividades com os demais colegas que também querem um SUS melhor (http://www.redehumanizasus.net/63249-formacao-estadual-ver-sus-inverno-2013-rio-grande-do-sul). Aproximações e trocas, entremeadas por discussões sobre nossos processos cotidianos de gestão e produção de saúde (http://www.redehumanizasus.net/61424-educacao-permanente-em-saude-aproximando-pessoas-e-construindo-coletivos).


Discutimos políticas públicas, conhecemos serviços de saúde, municípios, vivenciamos como usuários, problematizamos (http://www.redehumanizasus.net/12671-nos-caminhos-do-sus), o que com certeza qualifica os profissionais e também o atendimento à população! (http://www.redehumanizasus.net/12490-o-ver-sus-chega-a-santa-mariars).






O ponto em comum entre todas as experiências mencionadas - Rede HumanizaSUS, os cursos da UnB, da Fisma e da Universidade Federal do Espírito Santo, e VER-SUS - é a construção de narrativas no campo da formação em saúde que se traduzem em práticas políticas, que reforçam a defesa do sistema público de saúde enquanto espaço democrático promotor de justiça social.


Como diz Thatiane Veiga em seu relato, mencionado no início desse texto, vamos seguindo por aí as experimentações e vivências pelo SUS, conectando os pontos da rede de afetos.

 

Ps: Agradeço axs colegas do coletivo de editorxs da RHS, especialmente a Patrícia Campos, pela ajuda com a busca de dados sobre o VER-SUS na RHS. Agradeço também a Ricardo Teixeira pela conversa sobre o assunto, que deu origem a este texto.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

O pão nosso de cada dia - economia real e saúde

Saiu pela Fundação Perseu Abramo o livro de Ladislau Dowbor "O Pão Nosso de Cada Dia: processos produtivos no Brasil". É muito útil ver a economia pelo lado concreto, a chamada economia real, envolvendo indústria, infraestruturas, bancos, saúde e semelhantes. Nem tudo é finanças e ajustes: tem gente que trabalha. Pequeno prefácio de Ignacy Sachs, com quem o economista tem trabalhado muito o conceito de economia mista. Somos complexos demais na economia moderna, para apenas pensar em mercado ou Estado.

Como sempre ocorre com os livros de Ladislau Dowbor, este também está disponível online, e pode ser pedido diretamente na editora para quem gosta de papel. O link para acesso ao livro em pdf é: http://novo.fpabramo.org.br/sites/default/files/Pao20web.pdf

Fonte: site do Ladislau Dowbor

 
 
AS POLÍTICAS SOCIAIS

(...) chamamos aqui de políticas sociais, basicamente saúde, educação, cultura, turismo, lazer, esporte, habitação social e segurança.

Esses setores têm em comum o fato de constituírem investimentos nas pessoas. Se não tivermos pessoas com bom nível educacional, com saúde, vivendo de maneira decente – ou seja, com qualidade de vida – nenhuma das outras áreas de atividades irá funcionar. É a dimensão do chamado capital humano, mas muito além dos aspectos de formação de mão de obra.

(…)

Uma dimensão econômica importante das políticas sociais é que sempre foram qualificadas no Brasil como gasto e não como investimento.

(...)

Como os esforços de inclusão através de investimentos sociais se dão por meio de iniciativas públicas, esse gasto será sistematicamente atacado como populismo, inchaço da máquina do Estado e semelhantes. E os impostos sobre quem pode pagar, as elites, serão um vetor de reações histéricas. A imagem de um setor privado que produz e de um Estado gastador tornou-se não mais uma ideia, mas um preconceito no sentido de gerar reações ideológicas impenetráveis ao raciocínio e diariamente marteladas na mídia.

Na realidade, quando uma empresa contrata um técnico bem formado, tende a esquecer que nesse jovem de 25 anos há 25 anos de investimento social, da família e de diversos serviços públicos, para gerar uma pessoa organizada, com bons conhecimentos, com saúde e capacidade de trabalho e de iniciativa. (...) Na economia, como dizem, não há almoço de graça, tudo é ao mesmo tempo custo e resultado, insumo e produto. E, nas políticas sociais, o investimento do setor público é fundamental.


SAÚDE

Saúde, sem dúvida, custa. Mas é o produto que mais desejamos. Ou seja, é um produto, e talvez o melhor de todos. Não é uma atividade meio, é uma atividade fim.

No entanto, devemos distinguir o nível de saúde atingido em termos de resultados e o processo que permite atingi-los. Como em qualquer processo produtivo, a setor deve alcançar os melhores resultados com o mínimo de custos.

É o que se chama de produtividade da saúde. Nas últimas décadas, o mundo ganhou uma sobrevida impressionante. Antes, vivia-se tempo suficiente para criar os filhos. Hoje, as pessoas vivem 80, 90 anos. O progresso é impressionante.

O Atlas Brasil 2013, na avaliação geral dos 5.565 municípios do país, mostra que, entre 1991 e 2010, o tempo médio de expectativa de vida do brasileiro subiu nove anos, passando de 65 para 74 anos. São resultados espetaculares.

As pessoas tendem a atribuir esses resultados aos produtos que vemos na publicidade, belos hospitais e novos medicamentos. “Tomou Doril, a dor sumiu” e semelhantes.

Na realidade, o imenso avanço da humanidade em termos de esperança de vida se deve essencialmente à vacina, ao sabão, ao acesso à água tratada e ao saneamento básico. Mais recentemente no Brasil, a redução da fome com os diversos programas governamentais também operou milagres, o que explica em grande parte os nove anos de vida que ganhamos.

Portanto, ainda que grande parte de mídia se preocupe com o tratamento da doença, os grandes ganhos de produtividade e de dias saudáveis se devem à saúde preventiva, ou seja, ao conjunto das medidas – muitas delas fora do que consideramos normalmente setor de saúde – que evitam que surjam as doenças. Prevenir é incomparavelmente mais produtivo do que remediar.

A tensão gerada aqui, entre o conceito de serviços de saúde e o conceito de indústria da doença, é evidente. O sistema privado não tem interesse no sistema de prevenção por duas razões: primeiro, porque são ações universalizadas (como vacinas, água e saneamento etc.) que envolvem muita gente sem dinheiro para pagar e grandes esforços organizacionais que resultam da capilaridade das ações universais. A vacina tem de chegar a cada criança do país. Segundo, porque, ao se reduzirem os problemas de saúde, reduz-se o número de clientes. E o setor privado vive de clientes. Está interessado em poucos que possam pagar bem. Necessidade e capacidade de pagamento são duas coisas diferentes.

A concentração dos recursos da saúde privada no sistema curativo hospitalar e nas doenças degenerativas dos idosos é um resultado direto dessa deformação.

No caso brasileiro, naturalmente, a característica básica é a desigualdade, o que faz com que se tenham gerado dois universos de serviços de saúde: o público para a massa de pobres e o privado para os ricos e a classe média. Na medida em que o setor privado da saúde, com fins muito lucrativos, tenta expandir o universo de cobertura paga, os esforços de se generalizar o acesso a bons serviços públicos e gratuitos de saúde passam a ser atacados.

(...)

Uma sociedade saudável trabalha um conjunto de frentes que incluem desde cuidados da primeira infância até o ambiente escolar, as condições de habitação e urbanismo, a qualidade de vida no trabalho, o controle de agrotóxicos e semelhantes. A vida saudável resulta de um conjunto complexo de fatores, todos densamente ligados com a qualidade de vida em geral. Não é um produto padronizado que sai de uma máquina e resolve. Envolve, na realidade, uma forma de organização social.

Quando pensamos em saúde, tendemos a pensar na farmácia e no hospital, porque nos acostumamos a pensar nela apenas quando a perdemos. E não há dúvida de que há uma indústria da doença pronta para reforçar essa visão em cada publicidade de um plano privado de saúde, de remédios milagrosos e semelhantes.

(...)

No Brasil temos a convivência caótica do SUS com os gigantes financeiros que controlam os seguros e planos de saúde, passando por organizações sociais e sistemas cooperativos diversos. É importante a visão de conjunto: temos um grande acúmulo de experiência de gestão empresarial nos setores produtivos tradicionais, como de automóveis, e também na área de administração pública tradicional. Mas, no desafio de assegurar um bom nível de saúde, que resulta da convergência de numerosos atores, inclusive dos movimentos sociais, ainda estamos à procura de paradigmas adequados de gestão. Os rumos mais significativos, o que funciona efetivamente em diversos países que atingiram excelência, apontam para sistemas dominantemente preventivos, com acesso universal e gratuito, baseados em gestão pública mas fortemente descentralizados, com forte capacidade de participação e controle por organizações da sociedade civil.

Há uma dimensão ética aqui: a de que nenhum ser humano deve padecer e sofrer quando há formas simples de resolver o problema. A indiferença é vergonhosa e injustificável. Em termos sociais e políticos, não há dúvida de que uma das melhores formas de democratizar uma sociedade é assegurar que todos tenham acesso à saúde, tanto preventiva como curativa, independentemente do nível de renda. É uma forma essencial de redistribuição indireta de renda e de se generalizar o bem-estar.

A falta de acesso a serviços básicos de qualidade, por outro lado, gera um sistema quase de chantagem: as famílias se sangram para pagar um plano privado de saúde, gastando muito mais do que o custo dos serviços prestados, simplesmente por insegurança, pela possível tragédia de um acidente ou doença grave. Acabamos contratando um plano, e pagando caro para ter um certo sentimento de tranquilidade, e não pelos serviços de saúde efetivamente prestados. Quanto mais inseguros, mais pagamos. A indústria da doença precisa ser fortemente controlada, e um dos melhores caminhos é a sistemática elevação da qualidade e acessibilidade dos serviços públicos universais de saúde.

Fonte: O pão nosso de cada dia, Ladislau Dowbor, págs. 99/106

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Direito à participação na saúde na Revista Vida Saudável e Diabetes

Quando eu era pequena, gostava de ler uma revista infantil que trazia contos em forma de poesia. Acordava aos domingos e corria até a banca de jornais perto da minha casa para comprar a revista, e a devorava em poucas horas.

Revivi essa sensação de entusiasmo ao conhecer a Revista Vida Saudável e Diabetes, que tem um conteúdo totalmente direcionado para o universo das pessoas com diabetes. A principal proposta da publicação é abordar o tema de forma clara e direta, sempre trazendo assuntos relacionados à disfunção e ao dia a dia dos portadores. Os leitores encontram em cada edição as principais novidades em pesquisas e tratamentos, além de matérias especiais que enfocam qualidade de vida, comportamento, bem-estar, dicas, entrevistas com profissionais da área e diversas sugestões de receitas para serem preparadas em casa.

Além de difundir informações de qualidade sobre diabetes - o que costuma ser um problema em publicações jornalísticas, que não raro contribuem para a desinformação e preconceito contra portadores da doença - a revista debate o sistema público de saúde de forma propositiva, sem tender para a oferta do sistema privado como solução para os problemas do SUS. E também traz histórias de pessoas que buscam o direito à saúde, servindo como ferramenta de luta pela cidadania.

Na edição número 32, somando-se à esclarecedora matéria sobre os cuidados e tratamentos para pessoas com diabetes acometidas por dengue e à entrevista com a coordenadora do departamento de Saúde Pública da Sociedade Brasileira de Diabetes sobre a eficácia dos análogos de insulina, entre outras, na seção ponto de vista a revista debate a participação na saúde como direito de todos.

Em um trecho do texto que escrevi, aceito para publicação pela editora Letícia Martins, a Rede HumanizaSUS é citada como exemplo de espaço que contribui para a efetivação da diretriz constitucional de participação da comunidade na saúde (artigo 198, III, CF).





Em tempos de "grande mídia" (patrocinada por planos de saúde) que reporta apenas as piores mazelas do sistema público, encontrar uma revista que se propõe a mostrar o "SUS que dá certo" e ainda contribuir com a difusão do direito à participação na saúde é realmente animador! Uma busca bastante difícil - como retornar à infância para ler poesia em revistas -
para leitores que valorizam o sistema público de saúde, mas possível em função do compromisso democrático dos integrantes da equipe editorial e jornalística da revista em tornar o país melhor e mais justo, para todas as pessoas.


quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Encontro Paulista do VER-SUS: produzindo reflexões e ações no campo da formação em saúde

As vivências e estágios na realidade do SUS (VER-SUS) de São Paulo, desde a sua primeira edição em julho de 2014 na cidade de São Bernardo do Campo, e nos municípios de Mauá, Guarulhos, Santos e Brasilândia/FÓ no verão de 2015, vem se solidificando no campo da integração ensino-serviço com a gestão municipal de diversas secretarias de saúde, o que permite estimular uma aproximação dos estudantes de graduação com os territórios e o fortalecimento dos diálogos entre gestão e serviços de saúde. Possibilita, também, encontros fundamentais dos profissionais de saúde com as pessoas que utilizam o SUS, sempre próximo do afeto e do cuidado com o outro.
 
 Este encontro se motiva a partir da necessidade do VER-SUS/São Paulo (re)pensar suas práticas, suas vivências, seus objetivos e compromissos com o Projeto VER-SUS/Brasil. Com o mote “Produzindo ações e reflexões no campo da formação em saúde”, a comissão organizadora do VER-SUS/São Paulo propõe o Encontro Paulista do VER-SUS (EP-VER-SUS) com o intuito de fomentar o debate do SUS e da saúde.

O referido evento conta com a participação de diversos movimentos e coletivos como: Faculdade de Saúde Pública da USP, instituição importante sobre o debate da saúde e SUS; Associação Paulista de Saúde Pública (APSP), entidade histórica do movimento da reforma sanitária em São Paulo e anterior a efetivação do SUS; VER-SUS/São Paulo, coletivo de estudantes e mobilizadores dos estágios e vivências em São Paulo e os Centros Acadêmicos de Farmácia e Obstetrícia da USP, estes, protagonistas estudantis em articular o movimento estudantil de seus cursos com a pauta da saúde.

Ainda, é um evento multi-irradiado que será realizado na Faculdade de Saúde Pública (FSP) na região de Pinheiros/SP conhecida como “Quadrilátero da Saúde” com os cursos de saúde pública, nutrição, enfermagem, medicina, fonoaudiologia, fisioterapia, terapia ocupacional e direito, Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) na região do Butantâ/Cidade Universitária/USP com os demais cursos da área da saúde, biológicas, exatas, ciências humanas, ciências sociais e Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) na região da Zona Leste de São Paulo com os cursos de obstetrícia, gerontologia, educação física e saúde, gestão de políticas públicas e gestão ambiental.

Não há restrição de público!

Inscrições (gratuitas) abertas no dia 13/08/2015, através deste link: http://www.otics.org/estacoes-de-observacao/versus/inscricoes-seminarios/seminario-sao-paulo
 
Mais informações sobre inscrição, programação e novidades serão postadas da página do VER-SUS São Paulo (www.facebook.com/versussampa) e na página do Encontro (versussaopaulo.wix.com/epversus) e no evento do facebook (https://www.facebook.com/events/517704385049286/)

Seguimos como Bondia (2001) nos diz para cultivar a atenção e a delicadeza, abrir os olhos e os ouvidos, falar sobre o que nos acontece, aprender a lentidão, escutar aos outros, cultivar a arte do encontro, calar muito, ter paciência e dar-se tempo e espaço.

Referências

BONDIA, JL. Notas sobre a experiência e o saber de experiência. Palestra proferida no 13º COLE-Congresso de Leitura do Brasil, realizado na Unicamp, Campinas/SP, no período de 17 a 20 de julho de 2001.