quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Inscrição para participante livre da 15 CNS será aberta na sexta-feira 13/11/15

Os interessados em participar da 15ª Conferência Nacional de Saúde como participantes livres deverão fazer suas inscrições na sexta-feira, 13 de novembro, por meio deste portal. O formulário não está disponível ainda.

A página será aberta ao meio dia da sexta-feira e fechará após completar 150 inscritos. As inscrições serão pessoais e não por entidades.

Os primeiros 98 a registrar o interesse serão convidados e os restantes irão compor uma lista de espera para preencher vagas em caso de desistência. Eventuais acompanhantes de participantes livres que tenham necessidades especiais devem preencher um formulário especial de inscrição que também estará disponível na sexta-feira (13).

O critério para se cadastrar como convidados e convidadas é que tenham participado de Plenárias Populares Regionais, da 19ª Plenária Nacional de Conselhos e Movimentos Sociais ou de pelo menos uma etapa Municipal, Estadual ou do Distrito Federal.

Ao todo estão disponíveis 98 vagas para os convidados, que terão direito a voz em todos os espaços de discussão da 15ª Conferência, mas não terão direito a voto.

Os participantes com credenciamento livre terão direito à alimentação no local do evento, mas arcarão com quaisquer outros gastos como hospedagem, transporte, translado na cidade.

A 15ª Conferência Nacional de Saúde acontece de 1 a 4 de dezembro, no Centro de Convenções Ulisses Guimarães, em Brasília.

Fonte: site da 15ª Conferência Nacional de Saúde
 
 
 

CAMINHÃO DE CONTROLE CHEGA A PORTO ALEGRE

A iniciativa oferece testes e orientação gratuita sobre a doença para a população da região por onde passa.


A Medtronic, em parceria com a farmacêutica Bayer e a ADJ (Associação de Diabetes Juvenil), levam para o Parque Marinha do Brasil, em Porto Alegre (Av. Borges de Medeiros, 2035 - Praia de Belas), o Caminhão de Controle, projeto que visa orientar a população sobre o Diabetes, oferecendo testes gratuitos e material educativo.

A carreta fica estacionada no espaço nos dias 13, 14 e 15 de novembro, sexta a domingo, e estará aberta ao público entre 10h e 17h. Dia 14 de novembro é o Dia Mundial do Diabetes e a Medtronic intensifica seus esforços de conscientização durante o mês. Dentro do caminhão, o porto-alegrense conta com um tour educacional sobre o Diabetes com três estações diferentes: o Diabetes e seus números, o que significa ter um bom controle e opções de tratamento.

“Sabemos da necessidade de educar o paciente sobre o Diabetes, desde a identificação de sintomas até o diagnóstico, e a forma mais apropriada de tratá-lo. É perfeitamente possível que o paciente tenha uma vida normal, desde que possua as informações adequadas para conduzir seu tratamento”, explica Oscar Porto, presidente da Medtronic Brasil. “Iniciativas como o Caminhão de Controle são parte do nosso compromisso com essa necessidade, principalmente quando identificamos a dificuldade que os pacientes têm em fazer esse controle”.

O projeto tem a ambiciosa meta de testar 5 mil pessoas em quatro cidades até o fim de novembro, encaminhando os potenciais casos para os profissionais de saúde adequados. Em sua primeira parada, na cidade de São José do Rio Preto (SP), o projeto testou 643 pessoas, sendo que 45 delas estavam com níveis de glicose acima dos limites estabelecidos. Eles receberam as primeiras direções de uma equipe de profissionais da saúde e foram orientados a procurar um médico especializado. Depois de Porto Alegre (RS), o projeto segue para Curitiba/PR (20 e 21 de novembro no Boca Maldita) e volta para São Paulo, na região metropolitana (26 e 27 de novembro no SESC Itaquera).



Os números do Diabetes no Brasil

O Diabetes é uma doença crônica regida pelo conceito da Regra das Metades: metade da população com diabetes não sabe que tem essa condição. Dos que sabem, apenas metade recebe tratamento adequado. E do grupo com acesso a medicamento e serviço apropriado, metade não sabe controlar a doença e fica descompensado. No Brasil essa regra se confirma, segundo dados apresentados no Global Diabetes Summit, organizado pela Federação Internacional de Diabetes (FID) em abril, em Bogotá.

O País lidera a lista dos países latinos com maior população com diabetes (11,9 milhões), e é o quarto com maior número de pacientes do mundo, perdendo para a China (98,4 milhões), Índia (65,1 milhões) e Estados Unidos (24,4 milhões). Em 2035, a FID estima que o Brasil terá 19,2 milhões de diabéticos diagnosticados. Pela Regra das Metades, o número real de pessoas com diabetes no Brasil pode chegar a quase 40 milhões.


Sobre a ADJ Diabetes Brasil

Fundada em 10 de março de 1980, a ADJ Diabetes Brasil é uma entidade não governamental, sem fins lucrativos, legalmente registrada no Registro Civil de Pessoas Jurídicas. Seu objetivo é promover educação nesse campo para pessoas com diabetes, familiares, profissionais de saúde e comunidade.

Atende gratuitamente as pessoas com todos os tipos de diabetes, de qualquer faixa etária e classe socioeconômica. Oferece um trabalho integrado realizado por uma equipe multidisciplinar.


ADJ – Informações à imprensa

Animapress
Vanessa Pirolo – vanessapirolo@animapress.com.br
Tel. (11) 2063-7638 / 99387-2603

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

ADJ Diabetes Brasil promove campanha de prevenção do diabetes no Metrô Brás e na Rodoviária do Tietê em São Paulo

Segundo dados do Ministério da Saúde, no Brasil já são cerca de 14 milhões de pessoas com diabetes e aparecem 500 novos casos por dia. Com este cenário e alinhada com a campanha “Agir Hoje para mudar o Amanhã”, da Federação Internacional de Diabetes (IDF), a ADJ Diabetes Brasil promoverá várias iniciativas em comemoração ao Dia Mundial do Diabetes, direcionadas à prevenção e estímulo ao diagnóstico precoce do diabetes tipo 2 com foco na prevenção primária, incentivo à prática de atividade física e sensibilizar novas audiências.

A ADJ fará campanha com realização de testes de glicemia e orientação em diabetes
nos dias 12 e 13 de novembro, entre 9h e 18h, e quem passar pela estação da Brás do metrô, em São Paulo, poderá medir gratuitamente a glicemia e receber orientação em diabetes, seus riscos e prevenção.

Na sexta-feira (13), novamente em São Paulo, haverá um mutirão para aferição de glicemia na Rodoviária Tietê, entre 8h e 22h.

No dia 28 de novembro, das 9h às 17h, será realizado, na sede da ADJ, um mutirão de exames de fundo de olho gratuito para quem tem diabetes. O único pré-requisito é que a pessoa tenha diabetes e tenha feito inscrição prévia pelo fone: (1) 3675-3266 Ramal 11.

As ações terão envolvimento da equipe de colaboradores da ADJ e de voluntários. O intuito é promover aumento da consciência do diabetes, para que as pessoas se atentem à causa e possam prevenir a condição como também possíveis complicações de quem ainda não foi diagnosticado ou se a condição já é pré-existente, alertar sobre os riscos de um mau controle do diabetes.

Para a realização destas ações, a ADJ Diabetes Brasil conta com o apoio da Federação Internacional do Diabetes, do Shopping West Plaza, do Metrô e da Associação Brasileira de Artistas Plásticos de Colagem e patrocínio das empresas: Boehringer, Libbs, Lilly, Merck, Novartis, Novo Nordisk, OneTouch da Johnson&Johnson, Roche e Stevita.

Mais informações podem ser acessadas no www.adj.org.br


Sobre o Dia Mundial:

O Dia Mundial do Diabetes foi criado em 1991 pela International Diabetes Federation (IDF) em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em resposta ao aumento do interesse em torno do diabetes no mundo. Celebrado em 14 de novembro, é visto como a maior iniciativa mundial em torno do diabetes. A data foi escolhida devido ao nascimento do cientista canadense Frederick Bantin que, em parceria com Charles Best, foi responsável pela descoberta da insulina, em outubro de 1921. Dois anos mais tarde, Banting recebia o Prêmio Nobel de Medicina por esta descoberta e pela aplicação da insulina no tratamento das pessoas com diabetes.

O símbolo do Dia Mundial do Diabetes é um circulo azul que simboliza a união. A IDF buscou um formato simples para facilitar a reprodução e o uso para as pessoas que quisessem dar apoio à campanha. Esta data também é marcada com a iluminação em todo o mundo de monumentos e construções de destaque na mesma cor. O azul representa o céu e é a mesma cor da bandeira das Nações Unidas, que simboliza também a união entre os países. Neste dia, é estimulado o uso de roupas na cor azul, cor símbolo da campanha. 




Sobre a ADJ Diabetes Brasil

Fundada em 10 de março de 1980, a ADJ Diabetes Brasil é uma entidade não governamental, sem fins lucrativos, legalmente registrada no Registro Civil de Pessoas Jurídicas. Seu objetivo é promover educação nesse campo para pessoas com diabetes, familiares, profissionais de saúde e comunidade.

Atende gratuitamente as pessoas com todos os tipos de diabetes, de qualquer faixa etária e classe socioeconômica. Oferece um trabalho integrado realizado por uma equipe multidisciplinar.

 
Informações à imprensa:
Jornalista: Vanessa Pirolo
Tel.: 11 20637638/ 993872603 

terça-feira, 10 de novembro de 2015

I Seminário de Direito Ambiental da Defensoria Pública do Estado de São Paulo

Participe: Dias 16 e 17/11 - 1º Seminário de Direito Ambiental da Defensoria Pública do Estado de São Paulo.
Local: Auditório da Defensoria - Rua Boa Vista, 200 - térreo.
 
 

Reunião ampliada do Conselho da Ouvidoria da Defensoria Pública no Centro de Direitos Humanos de Sapopemba - São Paulo/SP

É nesta quinta-feira, 12, com tradução para LIBRAS/Português, a reunião ampliada do Conselho Consultivo da Ouvidoria-Geral da Defensoria Pública do Estado de São Paulo. Aberta à participação de qualquer pessoa. Participe!
 
 

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Insulinas Análogas em debate no Congresso da Sociedade Brasileira de Diabetes

Por Karla Melo
Coordenadora do departamento de Saúde Pública da Sociedade Brasileira de Diabetes

O diabetes tipo 2 está em franca expansão no mundo, devido à epidemia de obesidade. Cerca de 80% dos pacientes com diabetes tipo 2 são obesos. Mas o diabetes tipo 1 que corresponde a 5 a 10% do total de pessoas com diabetes, também vem crescendo. Hoje, acredita-se que tenhamos 382 milhões de pessoas com diabetes no mundo e, em 20 anos, deveremos alcançar 592 milhões, um crescimento de 55%. No Brasil já são 14 milhões de pessoas com diabetes. Com estes dados, já pode se dizer que o diabetes é uma epidemia que está se alastrando por todo o planeta. Como controlar, prevenir e tratar o problema, será amplamente debatido durante o XX Congresso da Sociedade Brasileira de Diabetes, que será realizado de 11 a 13 de novembro, no Centro de Convenções FIERGS, em Porto Alegre. Um dos temas em destaque no Congresso é a discussão sobre a disponibilização de insulinas, pelo SUS, para as pessoas com diabetes tipo 1 do Brasil.


DIABETES TIPO 1

O diabetes tipo 1, mais frequentemente diagnosticado na infância e adolescência, é caracterizado por uma agressão às células que produzem insulinas. No Brasil, as estimativas apontam para 600.000 a 1.200.000 pessoas com este diagnóstico, sendo que aproximadamente 33% são crianças e adolescentes. O tratamento deste tipo de diabetes envolve múltiplas aplicações diárias de insulinas e verificação dos níveis glicêmicos. Os pacientes utilizam uma insulina de ação prolongada para controlar a glicemia entre as refeições e enquanto dormem e insulina de ação rápida, administrada antes das refeições, para cobrir os carboidratos dos alimentos e corrigir glicemias elevadas. O objetivo do tratamento é manter a glicemia adequada, sem comprometer a qualidade de vida e reduzindo o risco de desenvolvimento de complicações que podem levar à cegueira, insuficiência renal, diálise, amputações, infarto do miocárdio, entre outras. Outra consequência do tratamento inadequado é a hipoglicemia (nível baixo de glicose no sangue) e quando acontece enquanto o paciente dorme, pode evoluir para um quadro de hipoglicemia grave, podendo chegar à convulsão, coma e óbito.

Dados publicados sobre o diabetes tipo 1 no Brasil demonstram claramente que estes pacientes possuem controle glicêmico inadequado, ficando expostos às complicações citadas. Também fica evidenciada a heterogeneidade do controle glicêmico e da disponibilização de insulinas entre as classes sociais. Os pacientes de classe social muito baixa possuem controle glicêmico pior quando comparados aos pacientes de classe social alta. É importante lembrar que a ausência de insulinas melhores na lista de medicamentos do SUS provoca um número importante de mandados judiciais, atendendo uma parcela pequena dos pacientes e aumentando, de maneira não planejada, os gastos com o tratamento do diabetes no Brasil.



Pensando em iniciar a melhora do tratamento com insulinas no Brasil, a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Associação de Diabetes Juvenil (ADJ), Associação Nacional de Assistência aos Diabéticos (ANAD) e a Federação Nacional de Associações e Entidades de Diabetes (FENAD) elaboraram a petição pública “Insulinas melhores para crianças e adolescentes com diabetes do Brasil” e submeterão à CONITEC (Comissão Nacional de Incorporação de Novas Tecnologias), no início de Dezembro, a solicitação de incorporação da insulina rápida para esta população. 





Iniciaremos a melhoria do tratamento com insulinas pelas crianças e adolescentes com diabetes que deveriam ser prioridades em saúde pública e que também podem sofrer consequências mais deletérias das hipoglicemias noturnas e graves. Solicitamos a incorporação de insulina análoga rápida porque há evidências científicas dos seus benefícios sobre o controle glicêmico e redução do risco de hipoglicemias graves e noturnas, comparada à insulina humana regular disponibilizada pelo SUS; possuem custo mais acessível para a aquisição pelo Ministério da Saúde e há três destas insulinas no mercado brasileiro, podendo ser realizado pregão eletrônico, onde vencerá aquela com o custo mais baixo. Esta solicitação de incorporação é uma iniciativa das sociedades e entidades citadas, não possuindo nenhuma participação da indústria farmacêutica e visa trazer benefícios, inicalmente, para a saúde de crianças e adolescentes com diabetes do nosso país. Este será apenas o primeiro passo para melhorar o tratamento, o controle do diabetes e a qualidade de vida de pessoas com diabetes tipo 1 do Brasil.

O simpósio “Dificuldades e soluções no tratamento do DM1 no Brasil” acontecerá no dia 11/11/2015, às 14:30, na Sala 1 Farroupilha e discutirá a situação atual dos pacientes com diabetes tipo 1 e o tratamento disponibilizado pelo SUS, na visão dos especialistas e de gestores de saúde pública. Os palestrantes são especialistas no tratamento de pessoas com DM1, em farmacoeconomia e no processo de incorporação de medicamentos pelo SUS. Esta discussão é muito importante para viabilizarmos melhorias na insulinoterapia em nosso país.

Edvaldo Furtado Apolinário (Associação Sempre Amigos de Indaiatuba/SP, Karla Melo e eu


Para assinar a petição pública “Insulinas melhores para crianças e adolescentes com diabetes do Brasil” clique aqui: https://secure.avaaz.org/po/petition/Exmo_Sr_Ministro_da_Saude_do_Brasil_Professor_Doutor_Arthur_Chioro_Disponibilize_insulinas_melhores_para_criancas_e_adol/?nLDoBib

Mais informações sobre o XX Congresso da Sociedade Brasileira de Diabetes neste link: http://www.diabetes2015.com.br/programacao/index.php

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Ubuntodos contra a escravidão (em todas as suas formas)

Luiz Gama, advogado que atuou nos tribunais em defesa de escravos que lutavam por liberdade, mesmo sem poder se inscrever na Ordem dos Advogados do Brasil por ser negro, e que no dia 03/11/15, após 133 anos de sua morte, foi oficialmente inscrito nos quadros da advocacia nacional através do reconhecimento pelo Conselho Federal da OAB (http://www.revistaforum.com.br/quilombo/2015/10/28/um-evento-historico-homenagem-luiz-gama/)


Quando a proposta "ubuntu" (http://www.redehumanizasus.net/92967-ubuntodos-por-um) foi lançada por Pablo Dias Fortes na Rede HumanizaSUS para que cada pessoa escrevesse um post em apoio a alguém que sofreu uma injustiça, como forma de nos reconhecermos como parte de um todo maior que cada um individualmente, pensei nas pessoas com diabetes que vem sofrendo a descontinuidade do fornecimento de medicamentos e insumos. Especialmente em uma amiga que, quando nos conhecemos, dizia que seu organismo não sabia esperar pela Justiça brasileira (http://deboraligieri.blogspot.com.br/2013/10/do-lado-de-ca.html), e que não conseguiu continuar o tratamento com bomba de insulina porque o Poder Judiciário do Maranhão faz vista grossa para o descumprimento de uma ordem judicial que deveria ter sido efetivada há mais de um ano pela Secretaria de Saúde local.

Mas aí a Comissão de Constituição, Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados considerou constitucional o Projeto de Lei 5069/2013 (http://diabetesedemocracia.blogspot.com.br/2015/09/riscos-e-impactos-negativos-da.html) que, entre outras restrições ao atendimento no SUS para mulheres vítimas de estupro, só considera violência sexual os casos que resultam em danos físicos e psicológicos. Então pensei nas atuais "fogueiras e os métodos de violentação do corpo feminino" (http://infoativodefnet.blogspot.com.br/2011/11/o-martelo-nas-bruxas-como-queimar-hoje.html), cuja exploração pelo sistema machista e patriarcal se constitui em odiosa forma de geração de lucros (http://www.redehumanizasus.net/82578-a-insustentavel-leveza-do-ser-mulher-na-tv-brasileira-um-problema-de-saude-publica-feminina). Pensei em Simone de Beauvoir, que recentemente foi vítima de uma moção de repúdio de vereadores de Campinas após ter sido citada numa questão do ENEM (http://www.pragmatismopolitico.com.br/2015/10/vereadores-de-campinas-aprovam-mocao-de-repudio-a-simone-de-beauvoir.html). Pensei em Dilma Roussef e na recusa da grande mídia de chamá-la "Presidenta", afirmando não existir a flexão de gênero, sem perceber que, de fato, o que não existe é a aceitação de uma mulher no cargo maior do Executivo brasileiro (nunca se usou "presidenta" porque essa é a primeira vez que temos uma).

Então no domingo tive uma conversa com meu companheiro Patrício sobre a capacidade de transformar momentos ruins em experiências positivas na vida, como forma de sobrevivência, falando especificamente sobre experiências de racismo. E daí resolvi trazer o meu "ubuntu" para me solidarizar com as pessoas que sempre tiveram sua cidadania rebaixada* no Brasil, sujeitos da história que motiva as lutas do dia 20 de novembro, único feriado questionado no país: os negros e negras que foram escravizados e escravizadas, e que até hoje sofrem os efeitos da nova escravidão, a desigualdade de direitos e oportunidades para viver uma vida melhor.

Na semana passada o site Saúde Popular destacou a maior frequência de morte materna entre mulheres negras; maior risco de morte por causa externa, como homicídio; além de menor acesso a exames clínicos, conforme pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), de 2006. Dados do Ministério da Saúde apontam que, em 2011, a taxa de mortalidade materna por 100 mil pessoas era de 68,8 para mulheres negras e de 50,6 para mulheres brancas. Além disso, os homicídios aparecem como segunda causa de morte mais frequente entre a população negra, enquanto na população branca, o indicador aparece em quinto lugar (https://saude-popular.org/?p=1690).

Em junho a Agência Brasil havia também destacado que em 2012 negros foram presos uma vez e meia a mais do que brancos. Naquele ano, para cada grupo de 100 mil habitantes brancos havia 191 brancos encarcerados, enquanto que para cada grupo de 100 mil habitantes negros havia 292 presos, conforme dados do Mapa do Encarceramento: os Jovens do Brasil, da Secretaria-Geral da Presidência da República (http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2015-06/negros-foram-presos-15-vezes-mais-que-brancos-em-2012-embargo-4a-feira).

Em 2014 estudo do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) revelou que os impostos punem mais os negros e as mulheres em relação aos brancos e aos homens (http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2014-09/sistema-tributario-brasileiro-onera-mais-negros-e-mulheres-mostra-estudo). Há muitos relatos da exploração do corpo feminino negro, e violações e exclusões na área de saúde (http://populacaonegraesaude.blogspot.com.br/2015/07/a-carne-mais-barata-do-mercado-corpo.html). E poderíamos retroceder mais no tempo, sendo, no entanto, desnecessário para perceber como a população negra sofreu e sofre injustiças no Brasil. 

Pensei nas situações de racismo (sobre)vividas pelo meu companheiro (http://diabetesedemocracia.blogspot.com.br/2014/07/o-racismo-enquanto-um-problema-ignorado.html) e por todas as pessoas negras, pensei em uma amiga que, trabalhando no Ministério Público de São Paulo, foi obrigada a pedir transferência de setor após um longo período sofrendo assédios racistas de sua chefe.  Pensei em Taís Araújo e Maju, vítimas de racismo nas redes sociais (http://odia.ig.com.br/diversao/celebridades/2015-11-02/apos-racismo-tais-araujo-agradece-apoio-e-maju-coutinho-defende-a-atriz.html). E em atores e atrizes impedidos de interpretar papeis considerados inadequados para pessoas negras, como mostra o filme "A negação do Brasil" de Joel Zito Araújo (https://vimeo.com/95471812).

Minha solidariedade e minha força na luta contra todas as formas de escravidão!

Finalizo esse texto deixando o video da mesa de estudos e debates Boaventura de Sousa Santos e movimentos sociais, realizada pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Escola de Governo, Instituto Brasileiro de Ciências Criminais – IBCCRIM, Projeto ALICE e PUC-SP. Mais do que abordar injustiças - contra mulheres, contra pobres, contra negros e negras (com uma fala contundente da jornalista Marilene Felinto sobre a violência da mídia), contra índios - mostra que a participação social é uma forma de resistir e de lutar pela cidadania compartilhada, como um direito afeto à democracia.


Observação: agradeço aos amigos Pedro Aguerre, Gustavo Nunes de Oliveira, e Jorge Márcio Andrade pelo compartilhamento de conteúdos no facebook que me ajudaram a construir este texto.

* Expressão usada por Luiz Kohara, do Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos, durante a mesa de debates, para se referir à situação de desigualdade de direitos e de oportunidades que importa em redução de acesso a direitos.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

UBUNTODOS POR UM!

 
A consciência de si é em si e para si quando e porque ela é em si e para si uma outra consciência de si; isto quer dizer que ela só é enquanto ser reconhecido. (Hegel, citado por Fanon) 


Como muitos aqui já conhecem, o termo “ubuntu” se refere a um eixo ancestral da sociabilidade africana. O conceito aponta para a ideia de que a sociedade humana deve ser sustentada com base, sobretudo, na estima recíproca entre seus membros. Essa ideia está sintetizada na máxima zulu umuntu ngumuntu ngabantu (uma pessoa é uma pessoa através de outra pessoa), antecipando filosoficamente a própria noção de “reconhecimento” que está presente, por exemplo, na fenomenologia dialética de Hegel. No livro “Sem perdão não há futuro”, o arcebispo sul-africano Desmond Tutu, Nobel da Paz de 1984, assim resume o seu significado:

“Uma pessoa com Ubuntu está aberta e disponível para outros, apoia os outros, não se sente ameaçada quando outros são capazes e bons, baseada em uma autoconfiança que vem do conhecimento que ele ou ela pertence a algo maior e é diminuída quando os outros são humilhados ou diminuídos, quando os outros são torturados ou oprimidos.”

Com base nesse argumento, gostaria de propor aqui na RHS um experimento ético-afetivo em rede. A proposta é simples. Nos próximos dias, cada um de nós pensará em alguém que tenha sofrido (ou que venha sofrendo) com uma injustiça. Em seguida, fará então um post em sua homenagem. Pode ser uma palavra de apoio, de reconhecimento, qualquer coisa, enfim, que reflita um sentimento de solidariedade a ela ou a ele. Assim, aproveitando também a proximidade do mês da Consciência Negra – que representa no Brasil uma das mais significativas agendas contra a injustiça – teríamos até o próximo dia 20, dia da morte de Zumbi, uma coleção de posts solidários tecendo nosso “colar de contas-lembranças” em nome de tudo que esse autêntico herói brasileiro fez em prol da promoção da justiça.

Quem topa?

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

6ª Edição do Fórum Social Sul no M'Boi Mirim

 
A partir de amanhã, 29/10/2015, a região do M'Boi Mirim em São Paulo/SP recebe a 6º edição do Forúm Social Sul.
 
O objetivo do fórum é reunir movimentos sociais e entidades locais, promovendo um espaço aberto para o debate democrático e troca de idéias. A região recebe o próximo encontro entre os dias 29 de outubro e 02 de novembro no Jd. Ângela, na Rua Luís Baldinato.
 
O evento incluiu debates, oficinas, seminários e apresentações culturais, discutindo temas como: saúde pública, segurança, educação e mobilidade urbana.
 
Para encerrar as atividades todos estão convidados a participarem da 20ª Caminhada Pela Vida e Pela Paz, no dia 02 de Novembro, às 8h.

Confira a Programação Completa clicando aqui
 
 
 



 

terça-feira, 27 de outubro de 2015

Defensoria Pública de SP pede interdição da ala psiquiátrica da Penitenciária III de Franco da Rocha

A Defensoria Pública de SP ingressou na última semana com uma ação civil pública em que pede a interdição da chamada “ala psiquiátrica” da Penitenciária III de Franco da Rocha. A ação pede, ainda, que sejam realizadas as avaliações biopsicossociais individualizadas de todas as pessoas em cumprimento de medida se segurança no prazo de 30 dias.

Regularmente, a Defensoria Pública de SP recebe denúncias a respeito de pessoas cumprindo medida de segurança em estabelecimentos prisionais comuns e não em hospital de custódia e tratamento psiquiátrico, tal como determina a lei de execuções penais. Cumprem medidas de segurança as pessoas absolvidas em processos criminais que, por serem pessoas com deficiência mental, não podem ser consideradas responsáveis pelos seus atos.

Um dos locais onde as pessoas com transtorno mental estão concentradas é a Penitenciária III de Franco da Rocha. Porém, durante visitas realizadas pelo Núcleo Especializado de Situação Carcerária da Defensoria, juntamente com membros do Conselho Regional de Psicologia e do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, foi constatado que não há equipe mínima de saúde apropriada às demandas de saúde física e mental das pessoas lá inseridas, que não há qualquer plano terapêutico individualizado para elas, entre diversas outras irregularidades.

Além disso, as condições de aprisionamento a que estavam submetidos os internos são precárias: os vasos sanitários das celas encontravam-se quebrados, faltava local próprio para realização das refeições, não havia cama para todas as pessoas – sendo necessário que alguns dormissem no chão, havia diversas infiltrações e alagamentos nas celas, etc.

Embora tenha sido comunicada a reforma da ala psiquiátrica, os Defensores Públicos observaram que as alterações previstas não previam a adequação do local para melhoria da assistência à saúde ou material, posto que a reforma consistia apenas em renovação das grades das celas e pintura das paredes. “Em que pese a reforma do prédio, o local continua sendo uma prisão, com as dinâmicas próprias do cárcere, sendo certo que os efeitos do aprisionamento, somados à ausência de tratamento de saúde individualizado, impedem que o local seja considerado similar aos hospitais de custódia e tratamento psiquiátrico”, afirmam, na ação, os Defensores Públicos Bruno Shimizu, Patrick Cacicedo, Verônica Sionti e Luana Medeiros, responsáveis pela ação.

Para os Defensores Públicos, a custódia de pessoas com deficiência ou transtorno mental em unidades prisionais, como a Penitenciária III de Franco da Rocha, viola frontalmente os direitos fundamentais dessas pessoas e está em desacordo com toda a legislação vigente sobre o tema. “É intolerável a situação a que estão sendo submetidos os presos diagnosticados com deficiência ou transtorno mental naquele local, podendo a situação configurar, inclusive, tortura.”

Na ação, a Defensoria Pública de SP aponta a resolução do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP), que determina que quando não houver hospitais de custódia e tratamento psiquiátrico, os pacientes deverão ser tratados na rede do Sistema Único de Saúde (SUS). “Na ausência de vagas suficientes nos hospitais adequados, tendo-se em vista a quantidade de pessoas condenadas ao cumprimento de medida de segurança, o tratamento deve ser realizado pelo SUS, não se admitindo que as pessoas sejam simplesmente colocadas em alas de prisões, sem oferta de qualquer tratamento, como costuma acontecer.”

Área de pátio alagada por causa de vazamento em ala de presídio 
(Foto: Divulgação/Defensoria Pública)


Acompanhamento individualizado e Danos Morais

Diante das situações apontadas, a Defensoria Pública de SP pede, liminarmente, que não sejam mais encaminhadas à Penitenciária III de Franco da Rocha pessoas sentenciadas ao cumprimento de medida de segurança, interditando a chamada “ala psiquiátrica” do local. Pede ainda, que a equipe de avaliação e acompanhamento das medidas terapêuticas aplicáveis à pessoa com transtorno mental em conflito com a lei realize as avaliações biopsicossociais individualizadas de todos que cumprem a medida no prazo de 30 dias, apontando o encaminhamento terapêutico adequado para cada caso, no âmbito do SUS.

A Defensoria Pública também pede o pagamento de danos morais aos presos. “Não há, para o Poder Público, privilégios ou prerrogativas que possam eximi-lo do dever de preservação da integridade de bens ou direitos. Não há como admitir que cidadãos permaneçam moralmente e materialmente lesados, sem que haja o direito à reparação”, apontam os Defensores. Pede, ainda, que o governo do Estado pague indenização por danos morais coletivos no valor de R$ 5 milhões, que deverá ser revertida ao fundo de direitos difusos do Estado de SP. 

Banheiro de cela, segundo relatório da Defensoria Pública 
(Foto: Divulgação/Defensoria Pública)