quarta-feira, 28 de setembro de 2016

@conitec_gov Queremos a prorrogação do prazo da Consulta Pública sobre análogos de insulina de ação rápida para DM1!


Necessidade de prorrogação de prazo da Consulta Pública: publicação tardia do Relatório para a Sociedade e período de eleições municipais


Em 13.09.2016 a CONITEC abriu a Consulta Pública sobre a incorporação de análogos de insulina de ação rápida para o tratamento de pessoas com diabetes tipo 1. Contudo, nesta data somente o Relatório Técnico - de difícil entendimento por leigos (pacientes, familiares, amigos e cuidadores) - foi publicado (saiba mais neste link: http://diabetesedemocracia.blogspot.com.br/2016/09/conitec-queremos-o-relatorio-para.html). 

Apenas dois dias depois de já iniciado o prazo de vigência da Consulta Pública é que foi publicado o Relatório para a Sociedade - versão resumida do relatório técnico da CONITEC, elaborado numa linguagem simples, facilitando o entendimento do assunto em debate e o posicionamento do paciente e do público em geral.






Neste mesmo período as eleições municipais estão em sua reta final, sendo o domingo dia 02.10.16 (um dia antes do encerramento da Consulta Pública no dia 03.10.16) a data do primeiro turno para a escolha de Prefeitos e Vereadores em todo o Brasil, conforme o calendário eleitoral brasileiro de 2016 (http://sintse.tse.jus.br/documentos/2015/Dez/3/resolucao-no-23-450-de-10-de-novembro-de-2015).

Considerando que o voto consciente exige do eleitor pesquisa e interação sobre os projetos dos candidatos, e que a participação qualificada da comunidade pressupõe o entendimento do problema em discussão, a coincidência entre as datas da última quinzena do primeiro turno das eleições municipais e da Consulta Pública, assim como a falta do Relatório para a Sociedade por dois dias no transcurso do prazo de vigência, prejudicam a participação e o posicionamento da sociedade no debate sobre a incorporação dos análogos de insulina de ação rápida para DM1.

Justa e necessária, portanto, a prorrogação do prazo da Consulta Pública da CONITEC em favor da participação da comunidade (diretriz constitucional do SUS!) no debate sobre a incorporação dos análogos de insulina de ação rápida para o tratamento de pessoas com diabetes tipo 1, a exemplo do que ocorreu em 2014, quando o prazo foi prorrogado em função da coincidência com o período de carnaval.

Vamos então todos tuitar pedindo à Conitec a prorrogação do prazo da Consulta Pública sobre a incorporação dos análogos de insulina de ação rápida para o tratamento de pessoas com diabetes tipo 1. 

@conitec_gov Queremos a prorrogação do prazo da Consulta Pública sobre análogos de insulina de ação rápida para DM1!



terça-feira, 20 de setembro de 2016

CONITEC recebe contribuições para Consulta Pública sobre análogos de insulina ultrarrápida para DM1 até 03/10/16





Na última terça-feira (13.09.16) a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS - CONITEC, do Ministério da Saúde do Brasil, abriu Consulta Pública sobre a incorporação de análogos de insulina de ação rápida (lispro, asparte e glulisina) para Diabetes Mellitus tipo 1 (DM1). Até o dia 03/10/16, gestores, trabalhadores e usuários do SUS, profissionais da saúde, pacientes, familiares e cuidadores de pessoas com diabetes, assim como pesquisadores em saúde, poderão contribuir enviando manifestações e depoimentos para influenciar a recomendação final da CONITEC.

A recomendação inicial da CONITEC foi de não incorporação, por entender que não ficou demonstrada ou comprovada a superioridade das insulinas análogas rápidas em relação à insulina regular, ou seja, que os análogos não proporcionam melhor controle glicêmico e qualidade de vida que a insulina regular, o que não corresponde à experiência prática de quem usa essa tecnologia. Em relação aos custos, a CONITEC entende que só haveria vantagem em incluir os análogos de ação rápida no SUS se o preço fosse igual ou inferior ao da insulina já disponível - o preço das insulinas análogas é cerca de 150% superior ao preço da insulina regular. Leia a análise da CONITEC na íntegra nos seguintes links:

Relatório Técnico: http://conitec.gov.br/images/Consultas/Relatorios/2016/InsulinasCP25_2016.pdf

Relatório para a Sociedade (versão resumida do Relatório Técnico, em linguagem mais acessível aos pacientes): http://conitec.gov.br/images/Consultas/Relatorios/2016/Sociedade/RelatorioSociedade-InsulinasRapidas_DM1.pdf


Esta recomendação inicial pode ser revista pela CONITEC. E os cidadãos podem contribuir para isso, emitindo suas sugestões e comentários sobre a proposta de fornecimento de análogos de ação rápida para tratamento do diabetes tipo 1 pelo SUS, assim como sobre a recomendação inicial proferida pela CONITEC. Por isso é tão importante que todos participem dessa Consulta Pública!

E que informações os pacientes podem fornecer para influenciar a recomendação final da CONITEC? Este pode ser um roteiro a ser seguido na redação do depoimento:

- Quanto à natureza do diabetes tipo 1: quais os sintomas associados à doença, e que dificuldades eles trazem para a vida da pessoa tratada com insulina regular no dia a dia (hipoglicemias normais, hipoglicemias graves, hipoglicemias pós-prandiais, e hipoglicemias noturnas, por exemplo);

- Quais as limitações que o diabetes tipo 1 tratado com a insulina regular impõe à vida cotidiana, habilidade para trabalhar, vida social, satisfação dos familiares e amigos;

- O impacto sobre o bem-estar mental da pessoa com diabetes com a utilização do análogo de ação rápida;

- Atividades que a pessoa com diabetes acha difíceis usando a insulina regular (como alimentação sob a obrigatoriedade de espera de meia hora para início do efeito, por exemplo);

- Se o diabetes tratado com insulina regular impede a pessoa de cumprir o seu papel escolhido na vida;

- Caso haja complicações em decorrência do diabetes e/ou do tratamento com insulina regular: como a complicação interfere nas atividades diárias, se eventual medicação para tratar a complicação precisa ser administrada regularmente;

- Aspectos do diabetes que o paciente acha mais difíceis de lidar;

- Quais benefícios o análogo de ação rápida utilizado traz para a vida do paciente;

- Como esses benefícios se comparam em relação ao tratamento com insulina regular;

- Se o análogo de ação rápida ajuda a pessoa com diabetes a viver melhor;

- O impacto financeiro do análogo de ação rápida na vida do paciente.

É importante incluir também a experiência dos cuidadores e familiares, como eles são afetados pelo diabetes do paciente, podendo assim, trazer informações de como a inclusão dos análogos de insulina de ação rápida para DM1 tornaria a vida diferente para o(s) cuidador(es) e para o(s) familiar(es).


Essas contribuições devem ser inseridas no formulário eletrônico do portal da CONITEC. Nesta Consulta Pública há dois formulários disponíveis:

• Formulário de experiência ou opinião: para considerações sobre experiências práticas com a doença ou a tecnologia em questão, provenientes tanto de pacientes, cuidadores, amigos, familiares ou profissionais de saúde;

• Formulário de contribuição técnico-científica: para considerações sobre o relatório técnico-científico, para opinar e adicionar novas informações técnicas provenientes de estudos, livros técnicos, etc.

Acesse neste link o formulário de experiência ou opinião: http://formsus.datasus.gov.br/site/formulario.php?id_aplicacao=28118

Acesse neste link o formulário de contribuição técnico-científica: http://formsus.datasus.gov.br/site/formulario.php?id_aplicacao=28116


Esta é uma oportunidade de participarmos do aperfeiçoamento da política pública de saúde direcionada às pessoas com diabetes tipo 1. Quanto mais pessoas contribuírem, maior a quantidade de dados para análise da CONITEC.

Vamos todos contribuir para que a recomendação final da CONITEC reflita o interesse da sociedade: que os análogos de insulina de ação rápida sejam fornecidos gratuitamente pelo SUS a todas as pessoas com diabetes tipo 1, para que os benefícios sentidos na prática em relação ao controle da glicemia e à melhoria da qualidade de vida por quem usa a lispro, a asparte e a glulisina sejam extensíveis a todas as pessoas no Brasil!



Envie sua contribuição à CONITEC, e confirme presença no evento do facebook "Consulta Pública Conitec - análogos de ação rápida para DM1": https://www.facebook.com/events/276111119449172/




Referência:

Manual "Entendendo a incorporação de tecnologias em saúde no SUS: como se envolver", publicado pelo Departamento de Gestão e Incorporação de Tecnologias em Saúde da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde: http://conitec.gov.br/images/Artigos_Publicacoes/Guia_EnvolvimentoATS_web.pdf

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

CONITEC, queremos o Relatório para a Sociedade da Consulta Pública de análogos de ação rápida para DM1 publicado!

A CONITEC disponibilizou ontem (13/09/16) oito consultas públicas para receber contribuições da sociedade sobre medicamentos e Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (veja neste link: http://conitec.gov.br/consultas-publicas).

Consulta Pública é um mecanismo de publicidade e transparência utilizado pela administração pública para obter informações, opiniões e críticas da sociedade a respeito de determinado tema. Esse mecanismo tem o objetivo de ampliar a discussão sobre o assunto e embasar as decisões sobre formulação e definição de políticas públicas (manual "Entendendo a incorporação de tecnologias em saúde no SUS: como se envolver"). As consultas públicas antecedem a recomendação final da CONITEC sobre tecnologias em saúde que poderão vir a ser utilizadas no SUS.

Durante as consultas públicas, são disponibilizados no portal da CONITEC dois tipos de relatórios: o Relatório Técnico, que apresenta informações sobre a eficácia, acurácia, efetividade e segurança das tecnologias analisadas, além da avaliação econômica comparativa dos benefícios e dos custos em relação às tecnologias já existentes no SUS; e o Relatório para a Sociedade,  versão resumida do relatório técnico da CONITEC, elaborado numa linguagem simples, facilitando o entendimento do assunto em debate e o posicionamento do paciente e do público em geral, o que estimula a sua participação no processo de avaliação de tecnologias em saúde que antecede a incorporação, exclusão ou alteração de medicamentos, produtos e procedimentos utilizados no SUS (manual "Entendendo a incorporação de tecnologias em saúde no SUS: como se envolver").

Assim, o Relatório para a Sociedade é essencial à manifestação qualificada de pacientes, cuidadores e familiares numa consulta pública, pois esclarece o contexto e os motivos da recomendação da CONITEC em relação a determinada proposta de incorporação. Após ler o relatório, os cidadãos podem emitir suas sugestões e comentários sobre a tecnologia avaliada, assim como sobre a recomendação inicial proferida pela CONITEC (manual "Entendendo a incorporação de tecnologias em saúde no SUS: como se envolver"). É a partir do Relatório para a Sociedade que o cidadão vai redigir seu depoimento de forma a dialogar com os argumentos da CONITEC.

Apesar disso, das oito Consultas Públicas disponibilizadas ontem pela CONITEC, apenas em três delas consta o Relatório para a Sociedade. 



Nas outras cinco Consultas Públicas - incluindo a de Insulinas análogas de ação rápida (lispro, asparte ou glulisina) para Diabetes Mellitus Tipo I - o Relatório para a Sociedade não foi publicado.



Sem o Relatório para a Sociedade, e considerando que a linguagem do Relatório Técnico não permite o entendimento por todas as pessoas, como poderão os cidadãos contribuir para a Consulta Pública de forma eficaz, com reais possibilidades de influenciar a decisão da CONITEC, sem saber o contexto e os fundamentos da recomendação? 

No caso específico dos análogos de insulina de ação rápida para diabetes tipo 1, como poderemos contra-argumentar a recomendação de não incorporação da CONITEC?

Ontem mesmo, através do twitter, a CONITEC informou que o Relatório para a Sociedade referente à Consulta Pública de Insulinas análogas de ação rápida (lispro, asparte ou glulisina) para Diabetes Mellitus Tipo I está sendo finalizado e estará disponível no site em breve. Mas até o momento, não foi disponibilizado.




Considerando que sem o Relatório para a Sociedade a contribuição de pacientes, cuidadores, familiares, usuários do SUS em geral, ficam incapacitados para contribuir com a Consulta Pública, a CONITEC deve adotar as seguintes medidas:

- publicar o Relatório para a Sociedade referente às Consultas Públicas mencionadas (PCDT da Puberdade Precoce Central; PCDT da Imunossupressão no Transplante Pulmonar; PCDT da Imunossupressão no transplante cardíaco; Insulinas análogas de ação rápida (lispro, asparte ou glulisina) para Diabetes Mellitus Tipo I; e Diretriz para o tratamento do Aneurisma de Aorta Abdominal) nas próximas horas;

- prorrogar o prazo dessas Consultas Públicas em período proporcional ao tempo em que estiveram vigentes sem a disponibilização do Relatório para a Sociedade (por enquanto, dois dias).

Vamos tuitar pro Ministério da Saúde (@minsaude) e para a CONITEC (@conitec_gov) exigindo a imediata publicação dos Relatórios para a Sociedade das Consultas Públicas em que eles faltam, e ainda a prorrogação do prazo das dessas Consultas Públicas em período proporcional ao tempo em que estiveram vigentes sem a disponibilização do Relatório para a Sociedade. 


@minsaude @conitec_gov Queremos o Relatório para a Sociedade da CP dos análogos de insulina para #diabetes publicado!

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Consultas Públicas CONITEC de 13/09/16 a 03/10/16 - cadê o relatório para a sociedade da CP de insulinas análogas de ação rápida para DM1?



A CONITEC disponibilizou hoje (13/09) oito consultas públicas para receber contribuições da sociedade (opinião, crítica, sugestão) sobre medicamentos e Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas. As consultas públicas antecedem a recomendação final da CONITEC sobre tecnologias em saúde que poderão vir a ser utilizadas no SUS.

Durante as consultas públicas, são disponibilizados no portal da CONITEC os relatórios técnicos que apresentam informações sobre a eficácia, acurácia, efetividade e segurança das tecnologias analisadas, além da avaliação econômica comparativa dos benefícios e dos custos em relação às tecnologias já existentes no SUS. São disponibilizados também Relatórios para a Sociedade: versões resumidas e com linguagem acessível dos relatórios técnicos da CONITEC.

As consultas estarão vigentes por 20 (vinte) dias e os temas em pauta são: medicamentos para o tratamento da Hepatite C crônica, Diabetes Mellitus tipo1, esclerose múltipla e artrite reumatoide e Diretrizes para o tratamento do aneurisma de aorta abdominal, Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da imunossupressão no transplante cardíaco e pulmonar e PCDT de puberdade precoce central. 

Fonte: CONITEC


As Consultas Públicas em vigência são as seguintes:

- PCDT da Puberdade Precoce Central;

- PCDT da Imunossupressão no Transplante Pulmonar;

- PCDT da Imunossupressão no transplante cardíaco;

- Abatacepte SC para tratamento da artrite reumatoide moderada a grave, após falha aos MMCDs sintéticos (1ª linha de biológicos);

- Fingolimode no tratamento da esclerose múltipla remitente recorrente após falha terapêutica com betainterferona ou glatirâmer;

- Insulinas análogas de ação rápida (lispro, asparte ou glulisina) para Diabetes Mellitus Tipo I;

- Diretriz para o tratamento do Aneurisma de Aorta Abdominal;

- Veruprevir, ritonavir, ombitasvir e dasavubir para o tratamento de hepatite C crônica causada por infecção pelo genótipo 1 do HCV


Acesse as consultas públicas e respectivos relatórios técnicos e para a sociedade, e ainda os formulários para contribuição neste link: http://conitec.gov.br/consultas-publicas. É muito importante que você preencha e grave o formulário para que suas as contribuições possam ser analisadas pelo plenário da CONITEC. Somente assim suas sugestões e comentários sobre o medicamento, produto, procedimento ou protocolo proposto serão considerados.


Mas não há relatório para a sociedade* no caso da Consulta Pública das Insulinas análogas de ação rápida de ação rápida (lispro, asparte ou glulisina) para Diabetes Mellitus Tipo I. Vamos tuitar pro Ministério da Saúde (@minsaude) e para a CONITEC (@conitec_gov) exigindo o relatório para a sociedade, ou a prorrogação do prazo da Consulta pública caso ele não seja disponibilizado nas próximas horas?


* Relatório que apresenta uma versão resumida do relatório técnico da CONITEC, elaborado numa linguagem simples com o objetivo de estimular a participação de todos no processo de avaliação de tecnologias em saúde que antecede a incorporação de medicamentos, produtos e procedimentos no SUS.





terça-feira, 6 de setembro de 2016

Funcionamento e financiamento do SUS é o tema do próximo "Videoconferência CONITEC em Evidência"

A "Videoconferência CONITEC em Evidência" é uma série de encontros promovidos pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias ao SUS - CONITEC, que serão realizados quinzenalmente e terão como finalidade debater e aprofundar temas de relevância da área de gestão e avaliação de tecnologias, além de difundir os conteúdos e trabalhos produzidos pela CONITEC e Núcleos de Avaliação de Tecnologias. 

Vários assuntos serão abordados ao longo deste e do próximo ano: avaliação de tecnologias em saúde (ATS), relatórios da CONITEC, Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT's), judicialização da saúde, participação social na saúde, entre outros.

O tema do primeiro encontro foi "Conhecendo a CONITEC", que abordou o funcionamento da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias ao SUS e como novas terapias e tratamentos são colocados à disposição dos usuários no sistema único de saúde.

O próximo encontro abordará o funcionamento e financiamento do SUS. Veja a seguir mais informações sobre a segunda videoconferência:

Data: Segunda-feira (12/09/2016)
Horário: 16:00 hs às 17:00 hs
Tema: Funcionamento e financiamento do SUS 
Apresentação: Dra. Maria Inez Gadelha

Transmissão via streaming

Requisitos mínimos para acesso à videoconferência: Banda de Internet mínima de 512Kbps e plug-in do Windows Media Player ou Silverlight baixado e instalado no navegador Internet Explorer.

O encontro é aberto e poderá ser acompanhado por todos os interessados. Para participar, basta acessar o site da Rede Rute (http://www.rute.rnp.br/eventos) e clicar no link do anúncio da sessão, localizado no calendário de eventos. O ícone de transmissão será disponibilizado meia hora antes de cada encontro na página da Rede RUTE.

O usuário que estiver participando da transmissão via web (streaming) e que queira realizar alguma pergunta, deverá encaminhá-la para o endereço eletrônico – conitec.evidencia@saude.gov.br.

As datas de realização das próximas videoconferências serão: 26/09, 10/10, 24/10, 07/11, 21/11 e 12/12. Os temas de cada encontro serão divulgados oportunamente no site da CONITEC.

Todas as apresentações realizadas por meio das videoconferências serão disponibilizadas após uma semana no nosso canal do youtube - clique aqui.

Todas as reuniões são iniciadas pontualmente no horário indicado (hora de Brasília).

Fonte: CONITEC





Primeira videoconferência debateu o trabalho realizado pela CONITEC

As atividades, funcionamento e objetivos foram amplamente debatidos na I videoconferência, realizada em 29/08/16 pela CONITEC. A palestra inaugural contou com a apresentação da presidente da Comissão, Clarice Alegre Petramale, que expressou a importância do debate em torno do trabalho desenvolvido na área de gestão, avaliação e incorporação de tecnologias em saúde.

A videoconferência contou com a participação das diversas universidades, hospitais e especialistas interessados no tema. O encontro, que também foi transmitido por streaming, teve cerca de 150 acessos externos, que enviaram suas dúvidas pelo e-mail - conitec.evidencia@saude.gov.br .

Fonte: CONITEC


Acesse neste link o material da apresentação da Dra. Clarice Alegre Petramale: http://pt.slideshare.net/CONITEC/i-videoconferncia-conitec-em-evidncia-65519999

Assista ao I Videoconferência CONITEC em Evidência com o tema "Conhecendo a CONITEC":



sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Debate reflete sobre avanços e limites das políticas sociais

Na próxima segunda-feira (05.09.16) a 10ª edição do "Ciclo de Debates Que Brasil é Este?" debaterá os avanços e limites das políticas sociais no país. O bate-papo ocorre às 19h, no auditório do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, em São Paulo (Rua Rego Freitas, 454, conjunto 83 - República). Os convidados são os seguintes:

- Márcia Helena Carvalho Lopes, assistente social, mestre em Serviço Social pela PUC-SP, professora universitária, ex-ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS)

- Ladislau Dowbor, economista e professor da PUC-SP

A entrada é franca.

A atividade será transmitida online pela TVT (http://www.tvt.org.br)

Confirme presença no evento do facebook: https://www.facebook.com/events/324456077896345/




Que Brasil é Este?

O Ciclo de Debates "Que Brasil é Este?" é promovido por parceria entre o Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé e a FESPSP. Até outubro de 2016, a iniciativa realiza debates mensais para refletir sobre as turbulências pelas quais atravessa o país nos campos econômico, político e social. Acesse o hotsite e a página do Ciclo no Facebook para ficar por dentro da programação, dos convidados e dos conteúdos postados: 


terça-feira, 23 de agosto de 2016

Consulta Pública sobre Projeto de Lei “MAIS SAÚDE EM CADA REGIÃO DA CIDADE” - até 30/08/16

A Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo coloca em consulta pública a proposta de projeto de lei “Mais Saúde em cada região da cidade – Regionalização da Saúde, Mais Direitos aos Pacientes, Fortalecimento da Saúde Pública, Valorização dos Trabalhadores e Aumento dos Investimentos em Saúde“.

Sua participação é fundamental para que possamos fortalecer as ações e programas desenvolvidos pela Prefeitura dentro do Sistema Único de Saúde – SUS. Assim, queremos reforçar a participação e o controle social e garantir mais recursos para a saúde pública em nossa cidade.

Esta consulta é resultado do trabalho realizado pelos técnicos, gestores e conselheiros de saúde ao longo dos últimos dois anos que definiu novas regras para a contratação das organizações sociais de saúde, a realização de 23 chamamentos públicos e traçou diretrizes para melhor aplicação dos recursos e o acesso com qualidade das pessoas aos serviços de saúde.

Este projeto traz como eixos estruturantes:

1) Garantia de, no mínimo, 20% do Orçamento investido na Saúde. Lei Federal estabelece 15% e a cidade hoje aplica 20,3%;

2) Criação das Regiões Intramunicipais de Saúde

3) Estabelecimento das Portas de Entrada e fortalecimento da Atenção Básica como orientadora do cuidado

4) Reconhecimento e Respeito às especificidades da Saúde Indígena

5) Estabelecimento de regras de Regulação para organizar os serviços de saúde

6) Criação dos Fóruns de Rede Regionais

7) Mais Respeito aos Direitos do Paciente: Presença de Doula; Humanização do Parto; Visita Aberta nos hospitais municipais

8) Adoção da Relação Nacional de Ações e Serviços de Saúde – RENASES e Fortalecimento da Relação Municipal de Medicamentos – REMUME

9) Estabelecimento do Colegiado Interno de Gestão

10) Obrigatoriedade do chamamento público para a contratação de Organizações Sociais de Saúde

11) Previsão de desconto nos contratos de gestão quando não cumprimento da equipe mínima de profissionais

12) Padronização da política de recursos humanos dos trabalhadores da saúde

13) Reforço às ações de promoção à saúde nas unidades

14) Ouvidoria mais atuante e ferramenta de apoio à gestão e melhoria do cuidado

Abertura das consultas públicas: 05 de agosto de 2016

Encerramento das consultas públicas: 30 de agosto de 2016





(minuta do Projeto de Lei com espaço para contribuições online dos cidadãos)



E na próxima sexta-feira, dia 26/08/16, às 18h00, o Secretário Municipal de Saúde de São Paulo debaterá o Projeto de Lei "Mais Saúde em cada região da cidade" com todos os interessados que comparecerem ao encontro a se realizar no auditório da Faculdade Oswaldo Cruz (Rua Brigadeiro Galvão, 540, Barra Funda - São Paulo/SP).



segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Debate: "As metas da educação na nova conjuntura política: Plano Nacional de Educação e Objetivos de Desenvolvimento Sustentável"

Em 2016 o Plano Nacional de Educação (PNE) completou dois anos. Entre suas vinte metas para o decênio 2014-2024, existem metas intermediárias que venceram em junho deste ano. No plano internacional, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis (ODS) completam seu primeiro ano em setembro, reforçando um conjunto de metas consideradas desafios mundiais, incluindo a garantia do acesso à educação para todas as pessoas. Ainda na dinâmica internacional, também completa um ano de vigência as metas do acordo Educação para Todos (EPT), firmado no âmbito da UNESCO. 

Frente ao cenário brasileiro de instabilidade política e econômica, alto endividamento dos estados e municípios – principais responsáveis pela oferta da educação básica – e à proposta de um novo regime fiscal (PEC 241/2016) que impede a ampliação de investimentos sociais para construir escolas, pré-escolas, creches, melhorar as universidades públicas, a educação básica, e o salário dos professores, quais são as projeções para o cumprimento das políticas educacionais? Como a comunidade educacional e a sociedade civil, em geral, podem atuar para garantir que o sistema nacional de educação não se fragilize e consiga cumprir as metas estabelecidas?

Estas são algumas das perguntas postas a nossos convidados no debate “As Metas da Educação na nova conjuntura política: Plano Nacional de Educação e Objetivos de Desenvolvimento Sustentável". Estarão presentes:

Camilla Croso, coordenadora geral da Campanha Latino-americana pelo Direito à Educação;
Daniel Cara, coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação.

Quem não puder comparecer, poderá assistir a transmissão online, ao vivo, pelo link:www.acaoeducativa.org/aovivo




terça-feira, 16 de agosto de 2016

Política e Gestão em Saúde - Análise Política

Car@s Amig@s.

Compartilho aqui com vocês mais algumas reflexões, dessa vez a partir da leitura do texto "A análise política proposta por Ball" (capítulo 6 do livro "Caminhos para Análise das Políticas de Saúde", disponibilizado em pdf pela editora Rede Unida: http://www.redeunida.org.br/editora/biblioteca-digital/serie-interlocucoes-praticas-experiencias-e-pesquisas-em-saude/caminhos-para-analise-das-politicas-de-saude-pdf), e também as anotações feitas durante o debate com os demais colegas da disciplina de "Política e Gestão em Saúde", da pós-graduação da Faculdade de Saúde Pública da USP, durante a aula conduzida pela Profª. Laura Camargo Macruz Feuerwerker.

Na verdade, este é um convite para a continuação e ampliação do diálogo na rede, através de novos comentários e reflexões que venham se somar a esses que publico agora.

E aí, você acha que as políticas públicas são fenômenos cíclicos ou processos em constante movimento? E você acha que na prática a comunidade tem mesmo participação no SUS conforme preceitua a Constituição Federal?






A análise política proposta por Ball 

A Constituição Federal estabelece como uma das diretrizes do SUS a participação da comunidade (artigo 198, III), geralmente entendida como possibilidade de influência da sociedade sobre as decisões em saúde. Mas a decisão em si é apenas uma parte da construção da política pública de saúde, que envolve ainda debates e concepções sobre o que se entende por saúde e quais as melhores estratégias para se concretizar essa concepção de saúde como direito, como campo de trabalho, como valor cultural. Assim, a participação da comunidade deve estar integrada à política pública em todos esses momentos. 

Essa é uma das reflexões possíveis a partir da leitura do artigo “A análise política proposta por Ball”, em que as autoras promovem uma esquematização do pensamento de Stephen J. Ball sobre a análise das políticas públicas tendo como referência o processo de construção e transformação das políticas, entendidas tanto como disputas de poder quanto como diretrizes de organização da prestação de serviços à população. 

O primeiro ponto interessante e destacado logo no início do artigo é a concepção do processo de criação das políticas públicas como algo dinâmico, em constante movimento, e não necessariamente colocado em prática por etapas sequenciais de formação de agenda, formulação, implementação e avaliação. Quando se pensa numa política pública em saúde como uma resposta eficaz às necessidades e demandas da sociedade, talvez o melhor não seja conceber essas fases como um ciclo com início, meio e fim, mas como pontos para problematização constante das políticas de saúde. 

Da mesma forma, estudar as políticas públicas concebendo-as como fenômenos cíclicos herméticos, é também negar-lhes a natureza integrativa e coexistente dessas fases. A análise voltada para essa integração dos ciclos de uma política pública é a inquietação de S. J. Ball identificada pelas autoras. 

A originalidade da proposta de Stephen Ball não reside apenas no fato de analisar as políticas públicas a partir da interação de todos os seus elementos constituintes, mas por considerar que cada política constitui-se também como uma narrativa política, com texto e contexto histórico de criação. Citando as palavras do próprio Ball, o artigo explica que texto e discurso são conceituações complementares e estão implícitas uma na outra. 

Analisar as politicas públicas sob o aspecto de texto (documentos escritos) e discurso (disputas de sentido), na concepção de Ball da política como processos e consequências, é colocar em debate quem são os atores que na prática encontram-se legitimados a produzir essa narrativa política, esses textos e essa produção de sentido. 

Cabe aqui questionar se na prática a comunidade tem mesmo participação no SUS conforme preceitua a Constituição Federal. Ou, da mesma forma que na produção dos textos históricos pedagógicos, existe uma versão da narrativa que prevalece sobre as demais? E daí pensar como incluir as diversas narrativas políticas (dos diversos atores sociais, incluindo os usuários do SUS) na construção dessa política como processos e consequências, principalmente porque, as pessoas participando ou não do processo de construção da política, é sobre a comunidade que se produzem as suas consequências. 

Refletindo sobre os contextos propostos (da influência, da produção de textos e da prática) a partir da análise das políticas como processos e consequências e sua relação com a participação da comunidade nas políticas públicas de saúde: 

- os blogs de saúde e as redes sociais se constituiriam como âmbitos de construção de narrativas num contexto de influência (enquanto ação política em defesa de um projeto, reforçando ou contestando pareceres/opiniões de associações médicas e de organizações internacionais, com objetivos nem sempre voltados à garantia da saúde como direito humano, mas à consolidação da ideia de saúde como produto acessível no mercado global de consumo[1]), como essenciais à busca da democracia participativa nos processos políticos, embora haja um grande desequilíbrio de forças no exercício efetivo dessa influência; 

- as consultas públicas sobre os protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas (PCDT´s) e ainda sobre os manuais de atenção a determinadas condições de saúde constituiriam uma forma de promoção da participação da comunidade pelo ente estatal no contexto da produção dos textos políticos, embora de forma limitada (são manifestações limitadas ao objeto definido previamente pelo Estado); 

- a judicialização da saúde se constituiria como uma forma de controle social, sendo o Judiciário poder instituinte da participação do cidadão no contexto da prática, legitimando-o a interpretar e traduzir os textos para a realidade (com foco na interpretação e tradução da disposição maior de que saúde é direito de todos e dever do Estado, do artigo 196, da Constituição Federal). Em relação a este último contexto da prática, necessário reconhecer que a ordem judicial por vezes substitui a legitimidade constitucional do usuário do SUS para disputar as práticas dos serviços de saúde, que nem sempre é reconhecido como força legítima de forma espontânea. Os equipamentos de saúde existem para a prestação de serviços públicos, mas os cidadãos não conseguem ocupá-los como algo próprio. 

Como finaliza o artigo, para o Ball a importância da análise do ciclo das políticas (ACP) é entender como a política se move entre esses contextos e dentro de cada um deles. Tomando como exemplo a assistência farmacêutica do SUS para pessoas com diabetes, é interessante notar como os contextos se misturam (um pedido judicial de medicamento não integrante do protocolo do SUS é ao mesmo tempo, um fator de influência e um fator de modificação da prática) e como interagem entre si (uma consulta pública sobre um documento oficial, no contexto de produção de textos, pode trazer modificações a partir da influência da comunidade, produzindo transformação no contexto da prática, como foi o caso das seringas descartáveis[2]. 

___________________________
[1] No artigo “A captura do poder pelo sistema corporativo” (disponível em: http://dowbor.org/blog/wp-content/uploads/2016/06/Dowbor_A-captura-do-poder-pelo-sistema-corporativo.pdf), o Professor de Economia da PUC/SP descreve as ferramentas utilizadas pelas corporações multinacionais para defender seus interesses a partir do controle político dos Estados e como articulam suas forças na consecução de seus intuitos, citando estudo do Global Policy Forum sobre “a crescente influência do setor empresarial sobre o discurso político e a agenda”, questionando “se as iniciativas de parcerias permitem que o setor corporativo e os seus grupos de interesse exerçam uma influência crescente sobre a definição da agenda e o processo decisório político dos governos”. 

[2] O caderno nº 36 da atenção básica, publicado pelo Ministério da Saúde, sobre atenção às pessoas com diabetes, recomendava a reutilização de seringas e fornecimento desses insumos de acordo com essa prescrição. O documento não foi colocado para revisão em consulta pública, mas associações de pacientes produziram notas defendendo a importância do uso descartável das seringas como medida de segurança da correção das doses de insulina. Também o Conselho Federal de Enfermagem emitiu parecer contra a reutilização de seringas. Essas manifestações acarretaram publicação de nova recomendação do MS de uso das seringas uma única vez, e o fornecimento dos insumos pelas unidades básicas de saúde atualmente atende a essa determinação.



Anotações do debate em aula: 

A política é o que está no texto ou o que está na prática? Há muitas relações na prática que criam muitos outros planos além do plano formal da política. A política é elaborada para operar no plano formal, mas as disputas se dão em outros planos. É uma homogeinização da prática que desconsidera os afetos e os diferentes encontros, e que não resiste a 5 minutos de observação. Exemplo de gestão de alta complexidade: movimento de negação dos processos vivos em favorecimento da norma. 

Analisar essa complexidade dá mais trabalho, mas consegue analisar os fatos através de uma visão menos compartimentada. O que se produz em regra (parando no “isso é muito difícil”) é uma caricatura da realidade concebida como o real sem o ser. Isso se relaciona com um baixíssimo compromisso no Brasil de resolutibilidade. Não podemos deixar de questionar o discurso fazendo uma leitura linear do texto. A política não é o texto. 

Há uma diferenciação entre o ser e o dever ser. Na prática há um movimento frenético das disputas na área política. Assim, faz muito mais sentido analisar a montagem desses processos do que estudar as políticas como algo bom ou ruim. PMAQ é um exemplo de avaliação com olhar nulo para o processo, com a ideia de que avaliação é fazer auditoria. Gerencialismo invadindo a área da saúde. 

Associações de pacientes atuaram e atuam na participação social na produção e interpretação de textos das políticas de saúde, mas muitas vezes são também instrumentalizados pela indústria farmacêutica. 

Quais são os dispositivos e as estratégias utilizadas para a efetiva participação social? Não existem. Restringir a participação à atuação conforme as 3 categorias (gestor, trabalhador e usuário) não favorece a produção democrática de saúde. 

Exemplos de casos de participação social efetiva: políticas de AIDS (mais no começo, atualmente se satisfaz com o recebimento de atendimento e serviços) e saúde mental, em que há efetiva disputa dos sentidos de saúde. 

Política e Gestão em Saúde - Sobre política

Car@s Amig@s.

Compartilho aqui com vocês algumas reflexões a partir da leitura do texto "Sobre política" (capítulo 2 do livro "Caminhos para Análise das Políticas de Saúde", disponibilizado em pdf pela editora Rede Unida: http://www.redeunida.org.br/editora/biblioteca-digital/serie-interlocucoes-praticas-experiencias-e-pesquisas-em-saude/caminhos-para-analise-das-politicas-de-saude-pdf), e também as anotações feitas durante o debate com os demais colegas da disciplina de "Política e Gestão em Saúde", da pós-graduação da Faculdade de Saúde Pública da USP, durante a aula conduzida pela Profª. Laura Camargo Macruz Feuerwerker.

Na verdade, este é um convite para a continuação e ampliação do diálogo na rede, através de novos comentários e reflexões que venham se somar a esses que publico agora.

E aí, você acha que política é "coisa de governante"? Política é "coisa de todos os cidadãos"!





Sobre política

A política é identificada como respectiva a “atos dos governos” porque não se a concebe como algo pertinente à cidadania. A política referenciada ao Poder Executivo exclui a participação social de sua construção. Mas política é uma construção social. Aos cidadãos, caberia apenas a discussão e atuação no âmbito privado relacionado à sua vida em particular. Essa concepção de política coloca o cidadão numa relação muito limitada com o campo coletivo, e totalmente dependente de um intermediário – o Estado – para regular as relações entre os indivíduos no gozo dos direitos relacionados à cidadania. Não seriam as pessoas capazes de produzir e gerir bens coletivos como a saúde por si próprios? Essa questão da política como algo restrito aos atos dos 3 poderes do Estado e a origem de sua associação com a definição do termo é colocada em debate no artigo “Sobre política”.

Analisando as teorias clássicas do Estado, e verificando que a ideia de povo (ente formalmente uno, embora diversificado na prática) venceu a ideia de multidão (multiplicidade não unificável), podemos questionar se, caso fosse a multidão a concepção prevalecente, justamente por sua configuração plural, a política não seria associada como assunto pertinente a vários atores?

Da mesma forma que a ideia de soberania e nacionalidade como racionalidade de Estado conduziu as regras de convívio social para o desenvolvimento do sistema de produção capitalista, também a política serviu de instrumento de consolidação de um modo de vida propício ao capitalismo. Os objetivos são econômicos, mas os meios são culturais e sociais.

A burocracia estatal, enquanto gestão da liberdade, com as Constituições prevendo direitos em que o Estado deve se abster (liberdade, direitos de primeira geração) – o rol das liberdades – mostra que há muito mais espaço para o Estado se mover na condução da vida do cidadão do que o cidadão se mover na condução do funcionamento do Estado. E o objetivo final é sempre a conformação da existência do cidadão ao modo de produção capitalista. Foucault identifica essas liberdades com mecanismos de coerção (a coerção do Estado na fabricação da vida).

A partir de Foucault, é possível entender política (relação entre os cidadãos e os Estados) como luta pela(s) liberdade(s) e todas as disputas que ela envolve no campo político (atos de gestão do Estado), econômico e social. Uma luta pelo poder. Ou uma luta para poder construir opções de modo de vida, pelo governo de si?

A intervenção estatal Keynesiana, através de atuação do Estado na garantia de direitos sociais (direitos de segunda geração), não deixa de ser uma forma de controle das liberdades, desta vez das liberdades do Estado, com efeitos sociais, mas visando igualmente a expansão e manutenção do sistema de produção capitalista. É possível assim enxergar a Declaração Universal dos Direitos do Homem como ambientação pós-guerra em prol do desenvolvimento econômico mundial, sendo o estado de bem-estar social apenas efeito reflexo.

O artigo aponta que a centralidade da política a assuntos ligados aos atos de governo se relaciona com a especialização e cisão dos conhecimentos na área acadêmica, com a criação de um campo de estudo de políticas públicas que serviriam de subsídios (para planejamento e análise) aos projetos governamentais. A política como um campo acadêmico, ao mesmo tempo que reconheceu a importância de entender melhor os mecanismos da ação política, afastou o debate dos cidadãos em geral. De certa forma, não sabemos se intencionalmente, o debate político foi aprisionado aos muros da academia.

Como falar de política sem posicionar cidadãos e Estado (aparato estatal dos 3 poderes) em lados opostos, sem considerar que há “coisa de governante” e “coisa de cidadão”, e pensar que ocupantes do aparato estatal e cidadãos são todos atores com poder de influência no debate político para a construção, reforma e manutenção do Estado? Quando ocupantes do aparato estatal e cidadãos são igualmente considerados, podemos pensar que política não está relacionada exclusivamente a ação governamental – recursos, atores políticos, espaços institucionais (arenas), ideias e negociação. Podemos pensar que a comunidade tem o direito de efetivamente participar do SUS. 

No campo da pesquisa, Bourdieu confere à análise do processo histórico de cada situação (problema) a capacidade de correspondência da política como construção social (o modelo universal de Estado eurocentrado é uma convenção). Pensando que cada problema envolve a solução que lhe pertine, ressignificar os problemas políticos como algo pertinente aos cidadãos e aos governantes igualmente, oferecerá soluções diversas das que temos hoje. Pesquisando problemas referenciados aos governos, encontraremos soluções também referenciadas aos governos, para um projeto de governo. Sob este diapasão, o problema da militância em diabetes reside no fato de ignorar o contexto histórico-político em que inserida a comunidade. Os pedidos desconsideram por completo o que acontece no país[1].

Pesquisando problemas para os cidadãos, encontremos soluções para um projeto de Estado? Pensaremos em soluções para a produção de uma vida comum a todos? Certamente que pensando a política como problema referente à prática de embates e conflitos de interesses, de posições e percepções do mundo, de disputa de poderes e saberes, as soluções serão bem mais amplas que o campo de atuação dos governos.

A pesquisa dos problemas dos cidadãos envolve a produção de narrativas diferenciadas no campo acadêmico, a partir do reconhecimento de cada pesquisador como sujeito implicado com a política. A narrativa não universal, de afeto, mostra mais do que uma visão, mostra a concepção do objeto estudado sob um certo ponto de vista. Se implicar com o estudo, então, seria o pesquisador se colocar como ator social ao mesmo tempo em que faz a análise.

________________________________
[1] Entre os militantes em defesa das pessoas com diabetes, é bastante comum a publicação de textos em defesa dos direitos dessas pessoas de forma isolada do contexto global da saúde. Embora os direitos já consolidados correspondam a uma prestação de atendimentos e serviços pelo sistema público de saúde, a defesa do SUS não é uma pauta importante ou frequente na comunidade das pessoas com diabetes.



Anotações do debate em aula:


Tipo ideal de Estado de Weber

Foucault – Sobre a governamentalidade e Nascimento da Medicina Social

Na configuração do Estado moderno cria-se a ideia de população e o Estado passa a se ocupar do que essa população faz. A ideia de que ao Estado cabe garantir o crescimento da economia (aumento e distribuição das riquezas) também é respectiva ao Estado moderno. Antes do liberalismo o soberano deixava morrer, e com a transição do liberalismo para o capitalismo o Estado se tornou responsável por fazer viver (em ambos os sentidos). A partir do momento em que o Estado passa a se ocupar da gestão da vida privada e pública do cidadão, a vida passa a ter um valor. A partir dessa atribuição de valor, se estabelece um campo de disputas sobre que vida “vale mais”. E alguns processos históricos de diferentes escravidões acompanham a racionalização de vidas menos valiosas (na Grécia havia escravos, que eram os perdedores da guerra ou não detentores de propriedades, na colonização os povos negros passaram a ser escravos). Forja-se uma racionalização biopolítica da escravidão.

Ainda neste aspecto, cabe lembrar a participação dos organismos internacionais nessa construção de valor que miram objetivos econômicos, mas se mostram e atuam sobre condições sociais (exemplo da Declaração Universal dos Direitos Humanos como ferramenta de manutenção do sistema de produção capitalista depois de 2ª Guerra Mundial num mundo quebrado e politicamente cindido).

A definição do que é direito e do que são as necessidades depende do processo de construção histórica de cada país. Um país com um histórico de 400 anos de escravidão como o Brasil não tem os mesmos conceitos de um país que não teve. A universalização dos conceitos é uma forma de mascarar coisas, de invisibilizar as disputas de poder, para que o cidadão não se reconheça como ator social. 

Valores são construídos e vendidos como forma de sustentação do sistema capitalista de produção. O valor do trabalho (que a frase “o trabalho dignifica o homem” é uma representação perfeita. Dignifica mesmo, e em que condições?) é um exemplo disso.

Várias ideias de verdade em disputa, com prevalência das verdades da Igreja, ensejaram a necessidade de separação entre Igreja e Estado, quando a ciência foi elevada ao patamar de legítima enunciadora das verdades. E daí vem um certo fetiche de objetividade, em que o pesquisador não poderia estar implicado ou envolvido com o objeto pesquisado. Admitir que a implicação não atrapalha, mas favorece a pesquisa enquanto produtora de saberes válidos, enquanto fabricadora de outras visibilidades. A saúde coletiva é um campo de saberes e práticas em que uma diversidade de pessoas tem questões a partir da experiência. Por que essas questões não são legítimas? Por que apenas as questões da academia são legítimas?

Educação popular é um exemplo desse embate de legitimidade da produção de conhecimento (personalizado na Tenda Paulo Freire, concebida como uma ferramenta simbólica dessa disputa entre os conhecimentos técnico-científico e popular nos eventos científicos, e que continua relegada ao plano de atividade extra e ornamental), e contraditório também, porque resiste a adaptações regionais. 

A falta de interação entre os saberes é reforçada pela produção de políticas homogeneizadoras de práticas na área de saúde. As políticas de saúde não se contentam em criar princípios e diretrizes, mas formulam orientações homogeneizadas e desconectadas das necessidades das pessoas que procura atender. 

Uma das consequências dessa falta de interação é que os documentos das políticas são conceituados em si próprios (na própria lei da portaria). A PNH seria um desses exemplos. Não há uma análise crítica da política, mas uma averiguação se o que está escrito no documento está sendo colocado em prática. 

A reforma sanitária trazia em seu bojo uma diversidade de atores, incluindo movimentos sociais que foram conquistando direitos antes mesmo da criação do SUS. Com a institucionalização do SUS, os atores foram reduzidos às categorias de gestor, trabalhador e usuário, que não engloba a totalidade de atores envolvidos no processo de construção da saúde, que ficam no “chiqueirinho” dos encontros e congressos.